Sobre
Argentina: guia completo do fim do mundo a capital do tango
Por que visitar a Argentina
A Argentina e um daqueles destinos que muda a perspectiva de qualquer viajante sobre a América do Sul. Esqueça os estereótipos sobre países vizinhos - aqui voce encontra um mundo completamente diferente. Uma nação onde em uma única viagem e possível contemplar geleiras imponentes na Patagónia, degustar o melhor malbec aos pés dos Andes nevados, dançar tango em um clube histórico de Buenos Aires e chegar a cidade mais austral do planeta. A Argentina e o oitavo maior pais do mundo, estendendo-se por 3.500 quilómetros de norte a sul, e cada região e um universo a parte.
Para nos brasileiros, a Argentina representa algo especial. E nosso vizinho mais próximo culturalmente falando, compartilhamos rivalidades amigáveis no futebol, trocas comerciais intensas e uma historia entrelagada. A fronteira seca em Foz do Iguacu facilita a entrada, e a proximidade geográfica torna as passagens aéreas mais acessíveis do que para qualquer destino europeu. De São Paulo a Buenos Aires sao apenas tres horas de voo - menos do que para Manaus.
O que torna a Argentina única? Primeiro, os contrastes extremos. Em tres semanas de viagem, voce se desloca de selvas subtropicais com cataratas mais altas que Niagara ate florestas subantarticas da Terra do Fogo. Voce ve desertos de sal de um branco cegante no noroeste e lagos turquesa da Patagónia. Voce experimenta a melhor carne bovina do mundo, acompanhada de vinhos que raramente sao exportados porque os próprios argentinos bebem tudo. Segundo, o cambio favorável - dependendo da cotação, a Argentina pode ser surpreendentemente barata para quem leva dólares ou reais. Terceiro, os argentinos sao um povo caloroso e receptivo. Apesar das piadas sobre arrogância portenha, a verdade e que eles adoram receber visitantes e compartilhar os segredos de sua terra.
A Argentina nao e um destino para visitas apressadas. Nao e o tipo de lugar onde voce passa cinco dias, tira fotos nas cataratas e vai embora. Este pais exige tempo, imersão, disposição para mudar planos e seguir o momento. Voce planejou passar tres dias em Buenos Aires, mas acabou ficando uma semana porque toda noite descobria uma nova milonga ou um bar com musica ao vivo? Isso e Argentina. Voce ia ver a geleira em meio período, mas ficou mais tres dias porque o clima na Patagónia e imprevisível, e quando o sol finalmente apareceu, voce nao conseguiu parar de admirar? Isso também e Argentina.
Se voce busca um destino que surpreenda, que conquiste e que faca voce querer voltar - encontrou. A Argentina nao se parece com nenhum outro lugar, e depois de conhece-la, muitos outros destinos parecerão sem graça. Aqui ha tudo: natureza de nível mundial, cultura rica, comida deliciosa, vinhos excelentes e pessoas que transformam um encontro casual em horas de conversa regadas a malbec. Bem-vindo ao fim do mundo - e ao coração da América do Sul ao mesmo tempo.
Regiões da Argentina: qual escolher
Buenos Aires e arredores
Buenos Aires nao e apenas uma capital, e um mundo a parte dentro da Argentina. Uma cidade com quase 15 milhões de habitantes (incluindo a região metropolitana) que vive em seu próprio ritmo, diferente de qualquer outro lugar do pais. Os portenhos - como sao chamados os habitantes de Buenos Aires - tem orgulho de sua singularidade e olham com certa superioridade para as províncias. Mas essa arrogância capitalina rapidamente se transforma em hospitalidade genuína assim que voce demonstra interesse pela cidade deles.
Buenos Aires e frequentemente chamada de Paris da América do Sul, e ha verdade nisso: boulevares largos, arquitetura neoclássica, cafés de calcada e aquela atmosfera especial de cidade europeia impossível de falsificar. Mas essa comparação deixa escapar o principal - Buenos Aires e única. Aqui se misturam influencias italianas, espanholas, francesas e ate do leste europeu, criando uma fusão que nao existe em nenhum outro lugar. Para brasileiros, ha algo de familiar - a energia latina, o gosto por conversa de boteco, a paixão pelo futebol - mas com um tempero europeu que surpreende.
O coração da cidade e a Plaza de Mayo, a praça principal do pais desde 1580. Aqui fica a Casa Rosada - o palácio presidencial rosa de cuja sacada discursaram Peron e Evita. A praça testemunhou revolucoes, golpes e protestos massivos - e a historia viva da Argentina. Toda quinta-feira, as Maes da Plaza de Mayo ainda se reúnem aqui, exigindo verdade sobre seus filhos desaparecidos durante a ditadura militar. E um lembrete pesado, mas importante, do passado do pais.
Da praça partem as principais artérias da cidade. A Avenida de Mayo leva ao Congresso - e uma avenida de gala com cafés centenários, incluindo o lendário Café Tortoni, funcionando desde 1858. Por la passaram Borges, Garcia Lorca e Albert Einstein. Sim, e turístico e caro, mas perder esse lugar e perder parte da alma de Buenos Aires. Peca um café, um pedaço de rogel (torta local) e assista ao show de tango que acontece toda noite.
O Teatro Cólon e um dos melhores teatros de opera do mundo em termos de acústica. Mesmo que voce nao seja fa de opera, faca a visita guiada pelo prédio: os interiores aqui sao mais luxuosos que muitos palácios europeus. E se conseguir ingressos para um espetáculo - será uma noite inesquecível. Os preços sao significativamente mais baixos que em Milão ou Viena, mas a qualidade esta no mesmo nível.
O bairro de San Telmo e o coração boémio da cidade. Ruas de paralelepípedo, lojas de antiguidades, tango em cada esquina e o Mercado de San Telmo, que funciona todos os dias, mas o domingo e especial. O mercado se transforma em uma enorme feira que ocupa vários quarteirões. Antiguidades, vintage, delicatessen locais, músicos de rua e dançarinos - da para passar o dia inteiro aqui. Nao deixe de visitar o El Zanjon de Granados - um museu incrível subterrâneo onde voce pode ver túneis da era colonial.
La Boca e o bairro mais colorido da cidade, com o Caminito, a rua de casas multicoloridas que se tornou símbolo de Buenos Aires. Sim, e turístico, mas vale a pena. Fachadas vibrantes, shows de tango na rua, aromas de parrilla (churrasco argentino). So nao saia das ruas turísticas - o resto de La Boca nao e seguro. Mas nao deixe de visitar o Estádio La Bombonera, a casa lendária do Boca Juniors. Mesmo que voce nao seja fa de futebol, a atmosfera de um jogo aqui e pura adrenalina argentina. Para nos brasileiros, rivalidade garantida!
Recoleta e o bairro aristocrático com o Cemitério da Recoleta, onde estao enterradas as famílias mais influentes da Argentina, incluindo Evita Peron. Nao e um lugar sombrio, mas um verdadeiro museu a céu aberto: os mausoléus aqui sao obras de arte. Depois do cemitério, caminhe ate o Museu Evita para entender por que essa mulher ainda desperta tanta paixão na Argentina.
Palermo e o maior e mais moderno bairro de Buenos Aires, dividido em vários sub-bairros. Palermo Soho tem butiques, lojas de design e cafés hipsters. Palermo Hollywood tem restaurantes e vida noturna. Os Bosques de Palermo sao um parque enorme onde os locais correm, andam de bicicleta e fazem piqueniques. Dentro do parque estao o El Rosedal com milhares de rosas, o Jardim Japonês e o Planetário Galileo Galilei. Nao deixe de visitar o MALBA - Museu de Arte Latino-Americana, com uma coleção impressionante de Frida Kahlo a artistas contemporâneos.
Puerto Madero e o antigo porto transformado em bairro moderno com arranha-céus, restaurantes e um calçadao para passeios. Aqui fica o Floralis Genérica - uma escultura metálica gigante de uma flor que abre de manha e fecha a noite. O El Ateneo Grand Splendid e uma livraria no prédio de um antigo teatro, uma das mais bonitas do mundo. Mesmo que voce nao leia em espanhol, entre para admirar os interiores e tomar um café no antigo palco.
O Obelisco de Buenos Aires e o símbolo de 67 metros da cidade na interseção da Avenida 9 de Júlio (a avenida mais larga do mundo) com a Avenida Corrientes (a rua dos teatros). O Palácio Barolo e um prédio inusitado, construido inspirado na Divina Comedia de Dante. Faca a visita noturna ao terraço - a vista da cidade e impressionante. Perto esta o Museu Nacional de Belas Artes com entrada gratuita e uma ótima coleção.
Para Buenos Aires sao necessários no mínimo 4-5 dias, mas uma semana e melhor. A cidade se revela gradualmente: nos primeiros dias voce se encanta com a arquitetura, depois descobre os cafés e restaurantes locais, e no final se apaixona pelo ritmo - jantares tardios as 22h, milongas de tango a meia-noite e cafés da manha ao meio-dia.
Patagónia: El Calafate e as geleiras
El Calafate e a porta de entrada para o mundo das geleiras. Esta pequena cidade as margens do Lago Argentino vive exclusivamente do turismo, e faz isso muito bem. A rua principal - Avenida Libertador - e uma sequencia de restaurantes, lojas de artigos de la e agências de turismo. As noites sao tranquilas, e durante o dia todos partem para a geleira. A cidade foi fundada como uma estação de criação de ovelhas, mas desde os anos 1980 o turismo mudou completamente seu destino.
A Geleira Perito Moreno e a estrela principal da região e uma das poucas geleiras no mundo que nao esta recuando, mas ate avançando. São 250 quilómetros quadrados de gelo, uma parede de 60 metros de altura e 5 quilómetros de largura avançando sobre as aguas turquesa do lago. A geleira esta em movimento constante - cerca de dois metros por dia. Voce ouvira estalos, estrondos e verá enormes blocos de gelo despencando na agua. Isso se chama calving - o desprendimento de icebergs, e e um espetáculo hipnotizante.
Ha varias formas de ver a geleira. A mais simples e visitar o sistema de plataformas de observação (pasarelas) no Parque Nacional Los Glaciares. Passarelas de madeira se estendem por vários quilómetros, oferecendo vistas impressionantes de diferentes ângulos. Voce pode passar algumas horas ou o dia inteiro aqui - observando como a luz muda a cor do gelo. A entrada no parque e paga (cerca de R$ 125 para estrangeiros em 2026), mas vale cada centavo.
Para um contato mais próximo, ha o minitrekking sobre a geleira. Voce e levado de barco ate a borda da geleira, recebe crampons (garras metálicas para as botas) e e guiado pela superfície do gelo. A sensação de caminhar sobre uma geleira viva, as cavernas de gelo azul, a agua potável direto dos riachos de degelo - e inesquecível. Ha também o trekking maior, de dia inteiro, para quem quer ir mais fundo.
Mas El Calafate nao e so Perito Moreno. No parque ha outras geleiras: Upsala (a maior da América do Sul), Spegazzini e outras. A excursão de barco pelos lagos, aproximando-se dessas geleiras, e uma aventura a parte. Voce navegara entre icebergs de formas e cores incríveis, do branco neve ao azul profundo.
A Estância Cristina e uma fazenda de ovelhas remota acessível apenas por agua. La ha um sistema de trilhas com vistas para a geleira Upsala e o canyon Rio Guillermo. E um lugar para quem quer fugir das multidões e ver outra Patagónia - silenciosa, selvagem, autentica.
O clima em El Calafate e imprevisível. No verão (dezembro-fevereiro) pode fazer +20 graus e sol, e em uma hora mudar para +5 com chuva e vento. O vento patagonico e famoso por sua forca - as vezes as rajadas chegam a 100 km/h. Vista-se em camadas, leve roupas impermeáveis e corta-vento, mesmo que a previsão prometa sol.
Patagónia: El Chalten e as montanhas
Se El Calafate e sobre geleiras, El Chalten e sobre montanhas e trekking. Esses dois lugares estao separados por apenas 220 quilómetros, mas sao completamente diferentes. El Chalten e a cidade mais jovem da Argentina, fundada em 1985 literalmente para marcar território em uma disputa com o Chile. Hoje e a capital do trekking do pais, uma pequena vila entre montanhas onde todos se conhecem.
O Monte Fitz Roy e o ícone da Patagónia. Este pico granítico de 3.405 metros e um dos mais tecnicamente difíceis do mundo para escalada. Mas para ver sua grandiosidade, nao e preciso ser alpinista. O trajeto mais popular e ate a Laguna de los Tres, de onde se tem aquela vista que voce ja viu em milhares de fotos: o Fitz Roy refletido nas aguas esmeralda de um lago glacial.
O trekking ate a Laguna de los Tres sao 20-25 quilómetros (ida e volta) com desnível de cerca de 1.000 metros. A maior parte do caminho e suave, passando por florestas e vales, mas o ultimo quilometro e uma subida íngreme por pedras. Leva de 8 a 10 horas. Saia cedo de manha para pegar o nascer do sol no lago e voltar antes de escurecer. Se tiver sorte com o clima - será um dos melhores dias da sua vida.
Mas o Fitz Roy e caprichoso. Frequentemente se esconde nas nuvens, e muitos turistas passam vários dias em El Chalten sem ver o pico. Isso faz parte do jogo - a Patagónia nao tolera pressa. Se estiver nublado, va ate a Laguna Torre, outro lago bonito com vista para a geleira Torre. Ou explore trilhas mais curtas: Mirador de los Condores (mirante com vista do vale) ou Chorillo del Salto (cachoeira a 4 km da cidade).
El Chalten e uma vila que se percorre a pe em 15 minutos. Nao ha caixas eletrónicos (leve dinheiro!), poucas lojas e opcoes limitadas de restaurantes. Mas ha cervejerias artesanais incríveis que produzem cerveja ali mesmo, alguns ótimos lugares de parrilla e vistas impressionantes das montanhas direto da janela do hostel. E um lugar para quem veio pela natureza, nao pelo conforto.
A melhor época para El Chalten e novembro-marco. No inverno (junho-agosto) muitas trilhas estao fechadas pela neve, e o dia e muito curto. Na primavera (setembro-outubro) e outono (abril-maio) pode estar ótimo, mas o clima e ainda mais imprevisível.
Terra do Fogo: Ushuaia
Ushuaia e a cidade mais austral do mundo (se nao considerarmos a contestada vila chilena de Puerto Williams). O nome significa 'baía profunda' ou 'baía que olha para o oeste' na língua dos yamanas. E um lugar no fim do mundo, onde a América termina e a Antártida começa - daqui sao apenas 1.000 quilómetros ate o continente branco. Ushuaia - Fim do Mundo nao e apenas um slogan, e uma sensação real que te invade quando voce esta na margem do Canal Beagle olhando para o sul, onde nao ha nada alem de agua e gelo.
A cidade esta espremida entre montanhas e mar, criando um microclima único. No verão e fresco (+10-15 graus), no inverno e frio, mas nao extremo (perto de zero). O principal problema e o vento e a chuva, que podem começar a qualquer momento. Mas no verão o sol se poe por volta das 22h e nasce as 5h da manha, dando quase 18 horas de luz do dia.
O Parque Nacional Tierra del Fuego e a primeira parada para a maioria dos turistas. Pode-se chegar de ónibus ou no histórico Trem do Fim do Mundo - uma ferrovia de bitola estreita construida por prisioneiros no inicio do século XX. O parque e pequeno, mas bonito: florestas subantarticas de lenga e nire, lagos, rios e vistas das montanhas chilenas através do estreito. Aqui começa (ou termina, depende do ponto de vista) a Rodovia Panamericana - a estrada que conecta o Alasca a Terra do Fogo.
O cruzeiro pelo Canal Beagle e parte obrigatória do roteiro. Os catamaras passam por ilhas com colónias de leoes-marinhos e pinguins, pelo farol Lés Eclaireurs (um dos mais fotografados do mundo) e se aproximam da costa chilena. Ha vários roteiros: meio dia, dia inteiro, com desembarque em ilhas ou nao. Escolha o que inclui visita a Ilha Martillo com sua colónia de pinguins-de-magalhaes - observar essas aves a poucos metros de distancia e impressionante.
Ushuaia também e a porta de entrada para a Antártida. Daqui partem os cruzeiros de expedição para o continente branco (10-20 dias, a partir de 5.000 dólares). Se a Antártida nao esta nos planos, mas voce quer sentir o espírito das expedicoes polares - visite o Museu Marítimo no prédio da antiga prisão.
No inverno, Ushuaia se transforma em estação de esqui. Ha varias pistas e enormes possibilidades para esqui cross-country e passeios de moto de neve. E o único lugar na Argentina com neve garantida, e a temporada vai de junho a outubro.
Cataratas do Iguacu
As Cataratas do Iguacu nao sao uma cachoeira, mas um sistema de 275 quedas d'agua espalhadas por 2,7 quilómetros. O Rio Iguacu despenca de uma altura de 80 metros em um enorme canyon, criando um espetáculo que supera tanto Niagara quanto Victoria. Eleanor Roosevelt, ao ver Iguacu, supostamente disse: 'Pobre Niagara!' E ela estava certa.
As cataratas ficam na fronteira de tres países - Argentina, Brasil e Paraguai. Para nos brasileiros, e a porta de entrada mais fácil para a Argentina: basta cruzar a Ponte da Fraternidade em Foz do Iguacu. O lado argentino oferece proximidade. Aqui voce chega bem perto das quedas, caminha por passarelas sobre a agua turbulenta, sente os borrifos no rosto. As Trilhas das Cataratas incluem os circuitos superior e inferior, cada um revelando um ângulo diferente. Mas o ponto principal e a Garganta do Diabo. Esta queda em forma de ferradura de 82 metros de altura recebe o fluxo principal de agua. Uma ponte de 1.100 metros sobre o rio leva ate a borda, e quando voce se aproxima - o estrondo, os borrifos e a sensação de insignificância diante da forca da natureza te envolvem.
Para o lado argentino sao necessários no mínimo um dia inteiro, de preferência dois. Chegue na abertura do parque (8h) para evitar as multidões e conseguir ver tudo. Dentro do parque circula um trem gratuito que leva os visitantes entre as trilhas. Leve roupa impermeável ou compre uma capa de chuva barata na entrada - voce vai se encharcar.
O lado brasileiro oferece a panorâmica. De la se ve toda a frente das cataratas, e as fotos ficam mais 'de cartão-postal'. Muitos combinam os dois lados: um dia na Argentina, um dia no Brasil. Para brasileiros, obviamente, nao ha necessidade de visto para visitar o lado brasileiro - e sua casa! Mas vale muito a pena cruzar para ver a perspectiva argentina.
A cidadezinha de Puerto Iguazu no lado argentino e um lugar agradável com bons restaurantes e atmosfera relaxada. No lado brasileiro esta Foz do Iguacu, maior e mais urbanizada. Se tiver tempo, de um pulo no Paraguai, mais precisamente em Ciudad del Este, paraíso de compras e eletrónicos baratos. E um lugar caótico, mas interessante para uma visita rápida.
A melhor época para Iguacu e marco-abril e agosto-setembro. Nessa época o nível da agua e alto (as cataratas ficam mais poderosas), mas sem o calor e a umidade do verão. No verão (dezembro-fevereiro) faz muito calor (+35-40 graus) e umidade, alem do pico de turistas. No inverno (junho-agosto) e mais fresco e com menos gente, mas a agua pode nao ser suficiente para a impressão completa.
Noroeste: Salta e arredores
Salta e outra Argentina. Se Buenos Aires e europeia e a Patagónia e selvagem, o noroeste e indígena e colonial ao mesmo tempo. Salta e a capital da região, uma bela cidade com arquitetura colonial bem preservada que os locais chamam de 'Salta la Linda' (Salta, a bela).
O centro da cidade e compacto e pode ser percorrido a pe. A Plaza 9 de Júlio e a praça principal com a catedral, o cabildo (edifício colonial do conselho) e cafés aconchegantes sob as arcadas. Ao redor estao ruas de pedestres com lojas de artesanato, museus e igrejas. O MAAM (Museu de Arqueologia de Alta Montanha) guarda as 'crianças de Llullaillaco' - múmias de crianças incas sacrificadas ha 500 anos no topo de um vulcão e preservadas no gelo eterno. E assustador e fascinante ao mesmo tempo.
Mas o principal em Salta sao os arredores. Daqui partem rotas para as paisagens mais impressionantes da Argentina. Cafayate e uma cidade vinícola a 180 quilómetros ao sul. A estrada ate la (Ruta 68) passa pela Quebrada de las Conchas - um canyon de rochas vermelhas de formas incríveis. Anfiteatro, Garganta do Diabo, Obelisco - cada parada e mais fotogénica que a anterior. Na própria Cafayate ha vinícolas com degustacoes de torrontes (a uva branca local), que aqui e a melhor do mundo.
As Salinas Grandes sao um enorme deserto de sal a 3.400 metros de altitude. São 12.000 hectares de sal de um branco cegante, onde voce pode fazer aquelas fotos com perspectiva distorcida. A estrada ate la e uma aventura a parte: a serpentina Cuesta del Obispo sobe através das nuvens, revelando vistas de tirar o fôlego. No caminho esta a vila de Purmamarca com a Montanha das Sete Cores e seu mercado de artesanato.
A Quebrada de Humahuaca e um canyon listado como Património da UNESCO. E uma antiga rota comercial inca com vilas pitorescas, ruínas pré-colombianas e montanhas de todas as cores do arco-íris. Tilcara com a fortaleza púcara, Humahuaca com seu centro colonial, Iruya com seu sitio arqueológico - cada lugar merece uma parada.
Para o noroeste sao necessários no mínimo 3-4 dias, de preferência uma semana. Alugue um carro ou faca excursões organizadas - as distancias sao grandes e o transporte publico e raro. A melhor época e abril-novembro (estação seca). No verão (dezembro-marco) e a estação de chuvas, as estradas podem estar alagadas e as vistas escondidas por nuvens.
Região dos Lagos: Bariloche
Bariloche (nome completo: San Carlos de Bariloche) e a Suíça argentina. Arquitetura alpina, montanhas nevadas, lagos azuis e chocolate em cada esquina. A cidade foi fundada por imigrantes alemães e suíços no inicio do século XX, e a influencia deles se sente em tudo - dos hotéis-chalé as chocolaterias, que aqui sao mais de cem.
Bariloche fica as margens do Lago Nahuel Huapi - um dos maiores da Argentina. A cidade se estende ao longo da orla, e a rua principal - Mitre - esta cheia de restaurantes, lojas e agências de turismo. E um lugar animado, um pouco caótico, especialmente na alta temporada. Mas basta sair alguns quilómetros e voce esta na natureza intocada.
O Circuito Chico e o trajeto clássico ao redor da Península Llao Llao. São 60 quilómetros de estrada com vistas deslumbrantes para lagos e montanhas, vários mirantes e possibilidade de parar em praias ou florestas. Pode-se fazer de carro, bicicleta ou em excursão. A parada obrigatória e o Cerro Campanário, de onde se tem uma vista eleita pela National Geographic como uma das melhores do mundo. Pode-se subir a pe (20 minutos) ou de teleférico.
O Cerro Catedral e a principal estação de esqui da América do Sul. No inverno (julho-setembro) esquiadores de todo o continente vem para ca. No verão, os teleféricos funcionam para turistas, e do topo se avistam panoramas de dezenas de quilómetros. O Refugio Frey e uma cabana de montanha junto a um lago homónimo, alcançável em 4-5 horas de trekking. E uma das melhores trilhas de um dia na região.
Bariloche e o ponto de partida para a Rota dos Sete Lagos (Ruta de los Siete Lagos). São 110 quilómetros de Bariloche ate San Martin de los Andes através de parques nacionais, passando por sete lagos de diferentes tons de azul e verde. E um dos trajetos mais cénicos da Argentina, que pode ser feito em um dia ou esticado para vários com pernoites em campings.
A Ilha Victoria e o Bosque de Arrayanes sao uma excursão de barco pelo Lago Nahuel Huapi. O Bosque de Arrayanes e um lugar único onde crescem árvores de casca vermelho-canela. Dizem que essa floresta inspirou a Disney para 'Bambi', embora isso seja mais uma lenda bonita.
Bariloche e bom o ano todo. Verao (dezembro-fevereiro) para trilhas, esportes aquáticos, dias longos. Inverno (julho-setembro) para esqui e snowboard. Meia-estação (abril-maio, outubro-novembro) tem menos turistas, mas algumas trilhas podem estar fechadas. A cidade e muito popular entre estudantes argentinos em viagens de formatura (novembro-dezembro), o que a deixa barulhenta e lotada - tenha isso em mente.
Mendoza: vinho e montanhas
Mendoza e a capital vinícola da Argentina e uma das oito grandes capitais do vinho do mundo. Esta região produz dois terços de todo o vinho argentino, e a estrela aqui e o malbec. A uva que quase desapareceu na Franca após a epidemia de filoxera encontrou em Mendoza sua segunda casa e se tornou o cartão de visitas do pais.
A cidade de Mendoza e agradável e tranquila. Ruas largas, arborizadas com plátanos que criam sombra no calor do verão. Um sistema de canais de irrigação herdado dos incas alimenta os parques urbanos e vinhedos. Após o terremoto devastador de 1861, a cidade foi reconstruida levando em conta a segurança sísmica - por isso os prédios sao baixos e ha muitas praças.
A Rota do Vinho de Mendoza e a principal razão para vir aqui. Tres zonas vinícolas principais: Maipu (a mais próxima da cidade, bodegas clássicas), Vale de Uco (região jovem e prestigiada com vinícolas de design) e Lujan de Cuyo (centro histórico do malbec). As vinícolas oferecem degustacoes, tours pelos vinhedos e adegas, almoços entre as videiras. Pode-se explorar de bicicleta alugada, com motorista ou em tour organizado.
Potrerillos e um resort de montanha a 70 quilómetros da cidade. Lago, canyons, rafting, passeios a cavalo - da para passar o dia ou ficar para pernoitar em um dos ecolodges. E a porta de entrada para os Andes e um ótimo lugar para atividades ao ar livre entre as degustacoes de vinho.
O Aconcagua e o ponto mais alto da América do Sul e de todo o hemisfério ocidental (6.962 metros). A escalada ao cume e uma expedição seria que exige 15-20 dias e preparação profissional. Mas o acampamento base Plaza de Mulas (4.300 metros) e acessível para turistas comuns em boa forma física. E um trekking de 2-3 dias com pernoite nas montanhas. Mesmo sem ir longe, a vista do Aconcagua dos mirantes a beira da estrada impressiona - especialmente no inverno, quando a montanha esta coberta de neve.
Mendoza também e gastronomia. A carne bovina argentina aqui e complementada pelo vinho, criando a combinação perfeita. Os restaurantes nas vinícolas oferecem almoços de varias horas com vista para as montanhas. As parrillas fechadas na cidade sao lugares para jantares prolongados com os moradores locais.
A melhor época para Mendoza e marco-maio (outono, época da colheita, a festa do vinho Vendimia no inicio de marco) e setembro-novembro (primavera, florescimento dos vinhedos). No verão (dezembro-fevereiro) faz muito calor - ate +35-40 graus, o que torna as excursões diurnas cansativas. No inverno (junho-agosto) e fresco, mas seco, e as vinícolas funcionam normalmente.
O que e único na Argentina
Parques Nacionais
A Argentina e um dos países com maior diversidade de ecossistemas do mundo. De selvas subtropicais a florestas subantarticas, de desertos de alta montanha a costas marítimas - tudo isso e protegido por uma rede de 47 parques nacionais. Vários deles sao imperdíveis para qualquer viajante.
O Parque Nacional Los Glaciares e o carro-chefe do sistema argentino de áreas protegidas. São 726.000 hectares de geleiras, montanhas e lagos, Património da UNESCO desde 1981. Aqui estao o Perito Moreno, o Fitz Roy e dezenas de geleiras menores. O parque e dividido em duas zonas: sul (El Calafate, geleiras) e norte (El Chalten, montanhas), entre as quais nao ha estrada direta dentro do parque.
O Parque Nacional Tierra del Fuego e o parque nacional mais austral da Argentina e um dos mais austrais do mundo. Florestas subantarticas de lenga e nire, turfeiras, a costa do Canal Beagle. Aqui voce pode fazer a trilha Costal del Beagle ao longo da costa ou subir ate o Lago Esmeralda. O parque e pequeno, mas atmosférico - e o fim do mundo, e isso se sente.
O Parque Nacional Iguazu tem 67.000 hectares de floresta subtropical ao redor das famosas cataratas. Alem da agua, aqui vivem centenas de espécies de aves (incluindo tucanos e papagaios), macacos-prego, quatis e onças-pintadas (que voce dificilmente verá, mas elas estao la). As trilhas pela selva sao uma aventura a parte, mesmo que voce ja tenha visto as cataratas.
O Parque Nacional Nahuel Huapi e o mais antigo da Argentina (1934) e um dos maiores. São 700.000 hectares de lagos, montanhas e florestas ao redor de Bariloche. Aqui começa a Rota dos Sete Lagos e terminam os caminhos para o Refugio Frey. O parque e ótimo para trekking de qualquer dificuldade - de passeios de uma hora a expedicoes de vários dias.
O Parque Nacional Talampaya (província de La Rioja) tem canyons vermelhos, petroglifos e fosseis de dinossauros. Parece com os parques nacionais americanos como Zion. Frequentemente e combinado com o vizinho Parque Provincial Ischigualasto (Vale da Lua), onde foram encontrados alguns dos fosseis de dinossauros mais antigos do planeta.
A entrada nos parques nacionais e paga para estrangeiros - geralmente entre R$ 75 e R$ 150. Os ingressos podem ser comprados online no site da APN (Administração de Parques Nacionais) ou no local. Na alta temporada, parques como Los Glaciares podem ficar lotados - reserve trekkings e transporte com antecedência.
Geleiras e montanhas
As geleiras patagonicas sao o terceiro maior reservatório de agua doce do planeta, depois da Antártida e da Groenlandia. O Campo de Gelo Sul se estende por 350 quilómetros ao longo da fronteira Argentina-Chile, alimentando dezenas de geleiras, rios e lagos. São geleiras que voce pode ver, tocar, caminhar sobre - o que torna a Argentina um destino único para turismo glacial.
A Geleira Perito Moreno e a mais acessível e impressionante. Mas ha outras. Upsala e a maior da América do Sul (870 km2), embora esteja recuando. Spegazzini e a mais alta (sua parede atinge 130 metros acima da agua). Viedma e parte do campo de gelo pelo lado de El Chalten. Cada uma pode ser visitada em excursão a partir de El Calafate ou El Chalten.
As montanhas da Patagónia sao um paraíso para trekkers e alpinistas. Fitz Roy e Cerro Torre sao ícones, mas ha muitos outros trajetos. O Huemul Trek e uma caminhada de 4 dias ao redor do Monte Huemul com pernoites em cabanas de montanha. A Geleira Viedma pode ser atravessada com crampons. A travessia para o Chile pela Laguna del Desierto e uma aventura para os mais experientes.
Os Andes na região de Mendoza sao outra cordilheira, mais seca e mais alta. O Aconcagua e o sonho de muitos alpinistas. Mas mesmo sem escalar, da para aproveitar as montanhas: o passo de Uspallata entre Mendoza e o Chile, a Ponte do Inca (uma ponte de pedra natural sobre o rio), as fontes termais ao pe das montanhas.
Para atividades de montanha serias e necessário bom preparo físico e equipamento adequado. O mal de altitude e um problema real nos Andes (Aconcagua, noroeste), embora as altitudes na Patagónia sejam mais modestas. O clima e imprevisível em todos os lugares - camadas de roupa, proteção contra vento e chuva sao obrigatórias.
Cataratas e rios
As Cataratas do Iguacu sao a principal maravilha aquática do pais, mas nao a única. O próprio Rio Iguacu impressiona - 1.320 quilómetros através da selva antes de despencar do famoso penhasco. Acima das cataratas e possível fazer rafting ou caiaque - tranquilo, ao contrario das corredeiras abaixo.
O Rio Paraná e o segundo mais longo da América do Sul depois do Amazonas. Ele forma a fronteira oriental da Argentina, e seu delta próximo a Buenos Aires e um lugar incrível. Tigre e uma cidade nos canais que pode ser visitada em um passeio de dia a partir da capital. Ilhas no delta, moradores locais em barcos, restaurantes a beira d'agua - e como uma Veneza, mas com selva.
Os rios da Patagónia sao turbulentos, glaciais, incrivelmente belos. O Rio Santa Cruz nasce do Lago Argentino (o mesmo onde cai o Perito Moreno) e flui ate o Atlântico. E possível descer em caiaques - sao vários dias em completa solidao entre estepes e montanhas. O Rio Futaleufu (na fronteira com o Chile) e um dos melhores do mundo para rafting classe IV-V.
Os lagos da Patagónia merecem menção especial. O Lago Argentino e o maior do pais, 1.466 km2. O Lago Nahuel Huapi e a pérola de Bariloche, com sua lenda sobre o 'monstro de Loch Ness' local, o Nahuelito. Lago Traful, Lago Gutierrez, os lagos da Rota dos Sete Lagos - cada um tem seu próprio tom, do esmeralda ao safira, graças a diferentes concentracoes de sedimentos glaciais.
Quando ir para a Argentina
Visao geral das estacoes
A Argentina esta no Hemisfério Sul, então as estacoes sao inversas as do Brasil, porem menos extremas do que comparadas a Europa. Verao e dezembro-fevereiro, inverno e junho-agosto. Mas o pais e tao extenso de norte a sul (equivalente da Noruega ao norte da África) que nao existe uma 'melhor época' única. Diferentes regiões sao melhores em diferentes momentos.
Buenos Aires: agradável na primavera (setembro-novembro) e outono (marco-maio). No verão e quente e umido (+30-35 graus, abafado), muitos locais saem para o litoral. No inverno e fresco (+10-15 graus durante o dia), mas seco - bem confortável para passeios. Para brasileiros do sudeste, e parecido com nosso clima de inverno.
Patagónia (El Calafate, El Chalten, Bariloche): verão (dezembro-fevereiro) e o pico da temporada. Dias longos, clima relativamente quente (+15-20 graus durante o dia), todas as trilhas abertas. Mas também e o máximo de turistas, preços mais altos, necessidade de reservar com antecedência. Meia-estação (outubro-novembro, marco-abril) tem menos gente, clima menos estável, mas pode estar ótimo. No inverno muitas trilhas estao fechadas pela neve.
Ushuaia: verão (dezembro-marco) para trekking e cruzeiros, inverno (junho-setembro) para esqui. O clima e imprevisível o ano todo - quatro estacoes em um dia nao e raro.
Iguacu: melhor em marco-abril e agosto-setembro - nao muito quente, cataratas cheias. No verão (dezembro-fevereiro) faz um calor infernal e umidade, mas agua nao falta. No inverno (junho-agosto) e mais fresco e com menos gente, mas as cataratas podem estar menos impressionantes após um período de seca.
Noroeste (Salta): a estação seca de abril-novembro e ideal. No verão (dezembro-marco) e a estação de chuvas, as estradas podem estar alagadas, especialmente nas montanhas.
Mendoza: colheita (fevereiro-abril) e a época mais interessante para tours de vinho, alem da festa da Vendimia em marco. No verão faz muito calor. No inverno e confortável, mas os passes de montanha podem estar fechados pela neve.
Festas e festivais
Festival de Tango em Buenos Aires (agosto): duas semanas de aulas, milongas e campeonato mundial de tango. A cidade vive tango ainda mais do que o normal. Para fas do género, e a época obrigatória para visitar.
Vendimia (Mendoza, primeira semana de marco): festa da colheita de uva. Desfiles, eleição da rainha, shows, degustacoes. O evento principal e o show no anfiteatro Frank Romero Day com efeitos de luz e fogos de artificio.
Carnaval em Gualeguaychu (janeiro-fevereiro): a resposta argentina ao carnaval brasileiro, embora mais modesta. Desfiles, danças, fantasias. A cidade fica na província de Entre Rios, entre Buenos Aires e Iguacu.
Dia da Independência (9 de julho) e Dia da Revolução (25 de maio): feriados nacionais com desfiles e eventos. Museus fechados ou com horário reduzido.
Semana Santa (marco-abril): semana em que muitos argentinos viajam. Patagónia e Mendoza lotadas, preços disparam. Reserve com muita antecedência ou evite.
Natal e Ano Novo: ferias de verão. Buenos Aires esvazia (locais nas praias), regiões turísticas lotadas. Calor em todos os lugares, exceto na Patagónia.
O que evitar
Janeiro em Buenos Aires: a cidade fica semideserta (todos de ferias), mas o calor e insuportável. Muitos restaurantes e lojas fechados.
Julho-agosto na Patagónia (se voce nao e esquiador): dias curtos, trilhas fechadas, frio. Bonito para fotos, mas com opcoes limitadas.
Ferias escolares em Bariloche (novembro-dezembro): viagens de formatura de estudantes argentinos tornam a cidade barulhenta e caótica. Se voce tem mais de 25 anos, escolha outra época.
Estação de chuvas no noroeste (dezembro-marco): estradas alagadas, visibilidade limitada, risco de deslizamentos. E possível, mas mais difícil.
Como chegar a Argentina
Aeroportos internacionais
O principal hub e o Aeroporto de Ezeiza (EZE) em Buenos Aires, a 35 quilómetros do centro da cidade. Para ca voam todas as grandes companhias aéreas: LATAM, Aerolineas Argentinas, Air Europa, Ibéria, Emirates, Turkish Airlines e outras. Da Europa ha voos diretos de Madri, Roma, Paris, Londres, Frankfurt. O tempo de voo e de 12-14 horas.
Do Brasil ha voos diretos e frequentes de São Paulo, Rio de Janeiro, Porto Alegre, Curitiba e outras cidades. A LATAM, Gol e Aerolineas Argentinas operam essas rotas. O voo de São Paulo a Buenos Aires leva cerca de 3 horas - praticamente uma ponte aérea. Os preços variam bastante: em promocoes e possível encontrar passagens por menos de R$ 1.500 ida e volta, enquanto na alta temporada podem passar de R$ 4.000.
Para portugueses e europeus, a melhor opção geralmente e via Madri (Ibéria, Air Europa) ou via São Paulo (LATAM, TAP com conexão). O voo de Lisboa a Buenos Aires dura cerca de 12-14 horas.
O Aeroporto Jorge Newbery (AEP), também chamado Aeroparque, e o aeroporto urbano de Buenos Aires para voos domésticos e alguns internacionais (principalmente para países vizinhos). Fica dentro da cidade, o que facilita conexões.
Outros aeroportos internacionais: Córdoba (COR), Mendoza (MDZ), Salta (SLA), Ushuaia (USH). Alguns recebem voos do Chile ou Brasil, o que pode ser útil para roteiros complexos. Por exemplo, e possível voar para Ushuaia via Santiago ou Punta Arenas, sem passar por Buenos Aires.
Passagens terrestres
A Argentina faz fronteira com cinco países, e todas as fronteiras estao abertas para turistas.
Brasil: a passagem mais usada por brasileiros e em Foz do Iguacu/Puerto Iguazu. Basta cruzar a Ponte da Fraternidade - de ónibus, carro ou a pe. O processo de imigração e rápido para turistas. Esta e a forma mais pratica de começar uma viagem pela Argentina saindo do Brasil, especialmente se quiser incluir as cataratas no roteiro.
Chile: diversas passagens pelos Andes. A mais popular e o túnel Cristo Redentor entre Mendoza e Santiago (ónibus de 6-8 horas). No inverno pode estar fechado pela neve. De Bariloche e possível cruzar para Puerto Montt pela travessia dos lagos - um dia em balsas e ónibus por paisagens deslumbrantes. De El Chalten ha uma passagem a pe pela Laguna del Desierto para o Chile (para aventureiros).
Uruguai: balsas de Buenos Aires para Montevideu e Colónia del Sacramento. Buquebus e Colónia Express sao as principais operadoras. 1-3 horas dependendo da rota e tipo de balsa. Ótima opção para um passeio de um dia a Colónia.
Paraguai: passagem em Iguacu (Puerto Iguazu - Ciudad del Este) ou em Posadas - Encarnacion. Nao precisa de visto para brasileiros.
Bolívia: passagens no noroeste: La Quiaca - Villazon e Salvador Mazza - Bermejo. Pode ser combinada com uma visita a Bolívia depois de Salta.
Custo das passagens
Do Brasil para Buenos Aires, os preços variam muito conforme a temporada e antecedência da compra. Em media:
- Alta temporada (dezembro-fevereiro, julho, feriados): R$ 2.500 - R$ 5.000 ida e volta em económica
- Baixa temporada (abril-maio, agosto-novembro): R$ 1.200 - R$ 2.500 ida e volta
- Promocoes: ocasionalmente abaixo de R$ 1.000 ida e volta
Para destinos como Bariloche, Mendoza, Salta ou Ushuaia, espere pagar R$ 500 - R$ 1.500 a mais, ja que requerem conexão.
De Portugal para Buenos Aires, os preços geralmente ficam entre 600 e 1.200 euros ida e volta em económica, dependendo da época e antecedência.
Procure passagens com 3-6 meses de antecedência. Use agregadores (Google Flights, Skyscanner, Kayak), mas compare com compra direta nos sites das companhias aéreas - as vezes e mais barato la. Flexibilidade nas datas pode economizar uma boa quantia.
Transporte dentro da Argentina
Voos domésticos
A Argentina e enorme, e sem aviões a viagem levaria semanas. Distancias: Buenos Aires - El Calafate 2.800 km, Buenos Aires - Ushuaia 3.200 km, Buenos Aires - Iguacu 1.300 km. De ónibus sao um ou dois dias, de aviao 2-3 horas.
Aerolineas Argentinas e a companhia nacional com a rede mais ampla de rotas. Preços mais altos que low-costs, mas serviço mais confiável e bagagem incluída. O programa de fidelidade permite acumular milhas em parceiros (SkyTeam).
LATAM Argentina e a companhia chilena com boa cobertura. Concorrente da Aerolineas, preços similares.
Flybondi e a low-cost argentina. Mais barata de todas (a partir de US$ 20-30 por trecho), mas bagagem e alimentação sao cobradas a parte. Voa do Aeroparque em Buenos Aires e do aeroporto alternativo El Palomar. Atrasos acontecem, mas para viajantes com orçamento limitado e uma ótima opção.
JetSmart e outra low-cost, chilena. Compete com a Flybondi em preços e rotas.
Dica: reserve voos domésticos com antecedência, especialmente para a Patagónia na alta temporada. Os voos para El Calafate e Ushuaia lotam rápido, e os preços disparam na véspera.
Ónibus
Os ónibus de longa distancia na Argentina sao uma arte a parte. Nao e apenas transporte, e uma experiência. Empresas como Via Bariloche, Andesmar, Flecha Bus oferecem diferentes classes de serviço: semi-cama (poltronas semi-reclináveis, a 140 graus), cama (quase horizontais), cama ejecutivo (totalmente horizontais com tela pessoal e alimentação). Nos trajetos noturnos da para dormir melhor que no aviao.
Os preços dependem da classe e distancia. Buenos Aires - Mendoza (1.000 km, 12-14 horas): de US$ 30 em semi-cama a US$ 80 em cama ejecutivo. Buenos Aires - Bariloche (1.600 km, 20-22 horas): de US$ 50 a US$ 120. O ónibus e uma boa opção se quiser economizar ou apreciar as paisagens (a Ruta 40 ao longo dos Andes e deslumbrante).
O terminal em Buenos Aires e o Retiro, um complexo enorme com dezenas de plataformas e guichés de todas as empresas. Os bilhetes podem ser comprados online (Plataforma 10, Busbud) ou no local. Na alta temporada, reserve com antecedência - destinos populares esgotam.
Dentro das regiões (por exemplo, Salta - Cafayate ou El Calafate - El Chalten) os ónibus sao menos frequentes, mas existem. Verifique os horários no local - podem mudar conforme a estação.
Aluguel de carro
Alugar um carro e a melhor forma de explorar a Argentina no seu próprio ritmo. As estradas em geral sao boas, especialmente as rodovias nacionais. O transito e do lado direito, regras padrão.
O que voce precisa: CNH brasileira ou portuguesa valida (a internacional e recomendada, mas a brasileira geralmente e aceita), cartão de credito para caução, mínimo de 21 anos (algumas locadoras exigem 25). Grandes empresas internacionais (Hertz, Avis, Budget) e locais (Localiza, Sixt) estao nos aeroportos e cidades.
Preços: a partir de US$ 30-40 por dia para compactos, US$ 60-80 para SUVs. O seguro e obrigatório e geralmente esta incluído no preço base, mas verifique a cobertura. A franquia pode ser alta (US$ 1.000+) - pode ser reduzida ou coberta por seguro adicional.
Gasolina (nafta) e diesel estao disponíveis em todo lugar, embora em áreas remotas da Patagónia a distancia entre postos possa ser de 200-300 quilómetros. Abasteça sempre que puder. Os preços da gasolina sao mais baixos que na Europa, mas mais altos que nos EUA - e comparáveis ao Brasil.
A Ruta 40 e a lendária estrada ao longo dos Andes, 5.000 quilómetros da Bolívia a Terra do Fogo. Parte e asfaltada, parte e de terra (ripio). Para trechos de terra e necessário um SUV ou pelo menos um carro com boa altura do solo. Nao tenha pressa - pedras, poeira e buracos inesperados sao reais.
As estradas patagonicas podem ser traiçoeiras: o vento empurra o carro para fora da pista, as estradas de terra ficam lamacentas após a chuva, bandos de guanacos aparecem na estrada. Dirija com cuidado, nao superestime suas forcas, nao planeje mais de 300-400 km por dia em estradas de terra.
Transporte urbano
Buenos Aires tem uma rede de transporte desenvolvida. O metro (Subte) tem 6 linhas cobrindo o centro e parte dos subúrbios. Funciona das 5h30 as 23h (domingos a partir das 8h), o custo da passagem e cerca de US$ 0,20. As linhas sao identificadas por letras e cores. E o metro mais rápido da América do Sul, embora no horário de pico seja muito lotado.
Os colectivos sao ónibus urbanos, centenas de linhas por toda a cidade e subúrbios. O pagamento e feito com o cartão SUBE (vendido em quiosques e estacoes de metro), dinheiro nao e aceito. Rotas e horários estao no aplicativo Como Llego ou Google Maps. Os ónibus noturnos funcionam 24/7.
O SUBE e o cartão de transporte único para todo o transporte publico da Argentina (nao apenas Buenos Aires). Compre assim que chegar, recarregue em quiosques ou terminais. Sem ele, nao tem como.
Táxis e Uber funcionam em Buenos Aires. Os táxis sao preto-amarelos, com taxímetro. O Uber e tecnicamente semi-legal, mas funciona e geralmente e mais barato que táxi. Para o aeroporto, prefira táxi oficial ou reserve transfer com antecedência - menos chance de pagar a mais.
Em outras cidades o transporte publico e mais modesto. Em Mendoza, Córdoba, Salta ha ónibus. Em Bariloche, El Calafate, Ushuaia ha principalmente táxis ou transfers. Em cidades pequenas, va a pe ou alugue um carro.
Código cultural da Argentina
Comunicação e etiqueta
Os argentinos sao um dos povos mais abertos e comunicativos da América Latina. Adoram conversar, discutir, debater política no jantar e falar sobre seu pais por horas. Nao se surpreenda se um desconhecido no café te puxar para uma discussão sobre futebol ou economia - isso e normal e ate esperado.
O cumprimento e um beijo na bochecha, mesmo entre pessoas pouco conhecidas, mesmo entre homens (um beijo, na bochecha direita). Aperto de mao e para situacoes muito formais. Ao se apresentar, use o primeiro nome, nao o sobrenome - a Argentina e informal.
O tempo na Argentina e um conceito relativo. Se te convidarem para jantar as 21h, chegue as 21h30-22h - chegar antes seria constrangedor. Reuniões de negócios começam mais pontualmente, mas um atraso de 15 minutos e normal. Nao se estresse, isso nao e desrespeito. Para brasileiros, isso e bem familiar!
O espanhol na Argentina e diferente do espanhol da Espanha ou do México. Aqui se fala o 'rioplatense' - um dialeto especial com influencia italiana. Em vez de 'tu' usam 'vos', em vez de pronunciar 'll' como 'lh' falam 'sh' (calle vira 'cashe'). Se voce estudou espanhol, os primeiros dias vai se adaptar, mas logo vai entender. Os argentinos valorizam qualquer tentativa de falar na língua deles.
O inglês e comum em lugares turísticos, os jovens geralmente falam razoavelmente. Mas fora de Buenos Aires e dos principais destinos turísticos, confie no espanhol ou na linguagem de gestos. O Google Tradutor com camera e seu amigo. Para brasileiros, o portunhol funciona surpreendentemente bem - as línguas sao próximas o suficiente para uma comunicação básica.
Gorjetas
Gorjetas sao parte integrante da cultura, embora nao tao agressivas quanto nos EUA.
Restaurantes: 10-15% da conta. Se o serviço estiver incluído (cubierto - taxa de couverts e pao ja na conta), pode dar menos. Em lugares simples, arredonde a conta para cima.
Táxi: nao e obrigatório, mas e comum arredondar para um valor conveniente.
Hoteis: para porteiros e camareiras, 200-500 pesos (US$ 0,50-1) por serviço.
Guias e motoristas de excursões: 10-20% do valor da excursão, se gostou.
Dinheiro em espécie e preferível para gorjetas, embora em lugares modernos possa ser adicionado ao pagamento com cartão.
O que pode e nao pode
Pode e deve:
- Elogiar Messi - ele e um herói nacional
- Interessar-se por tango - os argentinos tem orgulho dessa arte
- Comer carne - ser vegetariano na Argentina e difícil, mas possível
- Beber mate - se oferecerem, recusar e indelicado
- Falar sobre viagens - os argentinos também adoram viajar
Melhor evitar:
- Comparar com o Brasil de forma provocativa - somos vizinhos-rivais em tudo (especialmente futebol!)
- Mencionar as Malvinas (Falkland) - ainda e um tema delicado
- Discutir os Perons com pessoas cujas opiniões voce nao conhece - o pais e dividido ao meio
- Criticar a economia - eles sabem, mas ouvir de estrangeiro e desagradável
- Ter pressa - a correria nao e bem-vista
Futebol
O futebol e a religião da Argentina. Todo argentino torce para algum time, e isso nao e apenas hobby, e parte da identidade. Os dois principais clubes - Boca Juniors e River Plate - dividem o pais como nada mais. Pergunte a um novo conhecido para quem ele torce - e voce saberá mais sobre ele do que em uma hora de conversa.
Se quiser assistir a um jogo, reserve ingressos com antecedência pelos canais oficiais dos clubes ou agências. O Estádio La Bombonera (Boca Juniors) e o El Monumental (River Plate) sao arenas míticas. A atmosfera no jogo - tambores, cânticos, sinalizadores, um mar de emocoes. E seguro se for com um grupo ou tour, mas nao use as cores do adversário e fique longe das torcidas organizadas.
O Superclasico - jogo entre Boca e River - e um evento de nível mundial. Conseguir ingressos e quase impossível, mas vale tentar. Ou assista em um bar - as emocoes serão intensas de qualquer jeito. Para nos brasileiros, e a chance de ver de perto essa rivalidade lendária que so perde para a nossa própria (Fla-Flu, Corinthians-Palmeiras, Gre-Nal...).
Segurança na Argentina
Situação geral
A Argentina e um dos países mais seguros da América do Sul, mas isso nao significa que voce pode relaxar completamente. O nível de criminalidade e menor que no Brasil, Colômbia ou Venezuela, mas maior que no Chile ou Uruguai. O principal problema e o furto de rua, especialmente nas grandes cidades.
Buenos Aires: o centro, Palermo, Recoleta, Puerto Madero sao seguros de dia e a noite. La Boca fora das ruas turísticas, o bairro de Constitucion, algumas partes de Flores e Liniers sao melhores evitar ou andar com cuidado. A noite, fique atento em todo lugar, nao ostente aparelhos caros, use táxi/Uber.
No interior e mais tranquilo. Patagónia, Mendoza, Salta, Bariloche sao turísticos e seguros. Iguacu e seguro no lado argentino; Ciudad del Este no Paraguai e mais perigoso. Ushuaia e muito seguro - e uma cidade pequena no fim do mundo.
Para brasileiros, a Argentina geralmente parece mais segura que nossas grandes cidades. Mas mantenha as precaucoes básicas que voce ja conhece de casa.
Golpes típicos
Batedores de carteira sao profissionais de alto nível. Trabalham no metro, mercados, multidões. Mantenha a carteira no bolso da frente ou em uma pochete sob a roupa. A mochila va na frente no transporte.
O golpe da mostarda (mostaza scam): alguém 'acidentalmente' derrama ketchup/mostarda/suposto coco de pombo em voce, um transeunte prestativo ajuda a limpar - e de quebra limpa seus bolsos. Se te sujarem, afaste-se, nao deixe ninguém ajudar, limpe voce mesmo.
Táxis falsos: pegue apenas os oficiais (preto-amarelos com numero na porta) ou use Uber. A noite, chame pelo aplicativo, nao pegue na rua.
Cambio de rua: nunca troque dinheiro na rua com pessoas oferecendo 'cambio'. Sim, a taxa e melhor que a oficial, mas o risco de notas falsas ou assalto e real. Use casas de cambio (cuevas - informais, mas relativamente seguras) ou Western Union.
Preços inflacionados: taxistas, vendedores de rua, alguns restaurantes podem tentar cobrar mais de turistas. Observe o taxímetro, pergunte o preço antes de comprar, confira a conta no restaurante.
Serviços de emergência
Policia: 101 (ou 911 - numero único)
Ambulância: 107
Bombeiros: 100
Policia turística em Buenos Aires: 0800-999-5000 (gratuito, ha operadores que falam inglês)
Consulado do Brasil em Buenos Aires: Carlos Pellegrini 1363, 5 andar, tel. +54 11 4515-6500
Embaixada de Portugal em Buenos Aires: Av. Córdoba 315, tel. +54 11 4312-3524
Se roubarem seus documentos, va imediatamente a policia para fazer um boletim de ocorrência (denuncia), depois ao consulado para um documento temporário de retorno.
Saúde e medicina
Vacinas e prevenção
Nao ha vacinas obrigatórias para entrada na Argentina a partir do Brasil ou Portugal. Porem, sao recomendadas:
- Hepatite A - transmitida pela agua e alimentos
- Febre tifoide - para viagens longas em áreas rurais
- Febre amarela - se for para a região de Iguacu (embora o risco seja baixo)
Malaria e dengue: o risco e mínimo nas áreas turísticas, mas repelente de mosquitos e útil em Iguacu e no norte.
Mal de altitude: relevante para o noroeste (Salinas Grandes a 3.400 m, alguns passes acima de 4.000 m) e Aconcagua. Sintomas: dor de cabeça, náusea, cansaço. Aclimate-se gradualmente, beba muita agua, evite álcool nos primeiros dias em altitude.
Agua e comida
A agua da torneira nas grandes cidades e segura para beber - Buenos Aires, Mendoza, Bariloche, Córdoba. Mas o sabor pode ser diferente do habitual, então muitos preferem agua engarrafada. Em cidades pequenas e áreas rurais, prefira agua engarrafada ou fervida.
A comida de rua geralmente e segura. Os argentinos tem orgulho da limpeza de seus estabelecimentos. Mas medidas de precaução padrão: evite comida que ficou exposta por muito tempo, prefira pratos recém-preparados.
A carne e bem passada, o risco de infeccoes e mínimo. Peixes e frutos do mar sao frescos no litoral atlântico e na Patagónia, mas em Buenos Aires (que fica longe do mar) seja seletivo.
Serviços médicos
A medicina na Argentina e de alto nível. As clínicas privadas (clínicas) sao comparáveis as europeias. Os hospitais públicos (hospitales públicos) sao gratuitos mesmo para estrangeiros, mas as filas sao longas e as condicoes mais modestas.
O seguro viagem e obrigatório. Sem ele, uma visita a uma clínica privada custara caro. Verifique a cobertura: atendimento de emergência, evacuação (especialmente importante para Patagónia e Ushuaia - la um helicóptero pode ser a única forma de chegar a um hospital).
As farmácias (farmácias) estao em todo lugar. Muitos medicamentos sao vendidos sem receita, incluindo antibióticos (embora isso nao seja recomendado). Os farmacêuticos podem dar conselhos sobre problemas simples. A rede Farmacity funciona 24 horas nas grandes cidades.
COVID e outros requisitos
No momento da escrita (2026), nao ha restricoes relacionadas a COVID para entrada na Argentina. Mas verifique informacoes atualizadas antes da viagem - a situação pode mudar.
Dinheiro e orçamento
Moeda e cambio
A moeda oficial e o peso argentino (ARS, símbolo $). A inflação na Argentina e cronicamente alta (50-100% ao ano), então a taxa de cambio muda constantemente. No momento da escrita, 1 USD equivale a aproximadamente 900-1000 ARS, mas isso pode mudar ate sua chegada.
Na Argentina existem varias cotacoes do dólar:
- Cotação oficial: pela qual operam bancos e casas de cambio oficiais. Desvantajosa para turistas.
- Cotação paralela ('dólar blue'): 20-50% acima da oficial. Troca-se em casas de cambio informais (cuevas), via Western Union ou Wise.
A melhor forma de conseguir uma boa taxa: traga dólares (dinheiro vivo, notas novas e lisas, emitidas após 2006) e troque em cuevas (fáceis de encontrar no centro de Buenos Aires, pergunte na recepcao do hotel) ou envie para si mesmo via Western Union e receba em pesos. Cartões dao a cotação oficial - desvantajoso.
Para brasileiros, uma boa estratégia e trazer dólares em espécie (comprados no Brasil) ou usar a Wise para transferir reais e sacar pesos em casas de cambio parceiras. O cartão de debito internacional também funciona, mas com taxas menos favoráveis.
Os caixas eletrónicos (cajeros) estao em todo lugar, mas: a taxa e de US$ 10-15 por saque, o limite e de 15.000-30.000 pesos (US$ 15-30) por vez, alem do seu banco poder cobrar sua própria taxa. Use caixas eletrónicos apenas em ultimo caso.
Quanto levar
A Argentina pode ser muito barata ou muito cara - depende do estilo de viagem e da cotação no momento da visita.
Nível económico (US$ 30-50 / R$ 150-250 por dia):
- Hostels: US$ 8-15 / R$ 40-75 por cama em dormitório
- Comida de rua, cafés simples: US$ 3-8 / R$ 15-40 por refeição
- Ónibus, metro
- Atracoes gratuitas, caminhadas
Nível medio (US$ 80-150 / R$ 400-750 por dia):
- Hotel 3 estrelas ou Airbnb: US$ 40-80 / R$ 200-400 por quarto
- Restaurantes de categoria media: US$ 15-25 / R$ 75-125 por jantar com vinho
- Táxi/Uber, algumas excursões
- Entrada em museus e parques
Nível confortável (US$ 200+ / R$ 1.000+ por dia):
- Hoteis 4-5 estrelas: US$ 150+ / R$ 750+
- Restaurantes top: US$ 50-100 / R$ 250-500 por jantar
- Excursões privadas, voos domésticos
- Tours de vinho com degustacoes
Itens específicos:
- Entrada em parques nacionais: US$ 20-30 / R$ 100-150 para estrangeiros
- Trekking na geleira: US$ 150-200 / R$ 750-1.000
- Excursão de barco as geleiras: US$ 100-150 / R$ 500-750
- Ingresso para show de tango com jantar: US$ 80-150 / R$ 400-750
- Aula de tango: US$ 30-50 / R$ 150-250
- Degustação em vinícola: US$ 20-50 / R$ 100-250
Cartões e dinheiro
Cartões sao aceitos em toda parte nas grandes cidades, mas lembre-se da cotação desfavorável. Visa e Mastercard funcionam sem problemas. American Express e mais raro. Pagamento por aproximação e comum.
Dinheiro (pesos) e necessário para: mercados, pequenas lojas, gorjetas, transporte (o SUBE e recarregado em dinheiro), cidades pequenas e vilas. Na Patagónia fora das grandes cidades, os cartões podem nao ser aceitos.
Dolares em espécie sao úteis como reserva para problemas com cartões ou para trocar pela taxa melhor. Guarde em lugares diferentes em caso de roubo.
Roteiros pela Argentina
7 dias - Clássicos da Patagónia
Este roteiro e para quem quer ver os principais destaques do sul da Argentina em uma semana. E intenso, mas realizável.
Dia 1: Buenos Aires
Chegada, check-in em hotel em Palermo ou San Telmo. Passeio pela Plaza de Mayo, vista da Casa Rosada. Almoço em café na Avenida de Mayo. A noite, jantar com show de tango ou milonga para mergulhar na atmosfera.
Dia 2: Buenos Aires - El Calafate
Voo matinal para El Calafate (3 horas). Check-in, passeio pela rua principal. A noite, jantar com cordeiro patagonico e vinho local.
Dia 3: Geleira Perito Moreno
Dia inteiro no Parque Nacional Los Glaciares. Plataformas de observação da Geleira Perito Moreno, observação do desprendimento de icebergs. Opcional: mini-trekking na geleira (reservar com antecedência).
Dia 4: El Calafate - El Chalten
Ónibus matinal para El Chalten (3 horas). Check-in, trekking curto ao Mirador de los Condores ou cachoeira Chorillo. Noite em cervejaria local.
Dia 5: Trekking a Laguna de los Tres
Saída cedo para a Laguna de los Tres (20 km, 8-10 horas). Vista do Monte Fitz Roy - se tiver sorte com o clima. Retorno, jantar merecido.
Dia 6: El Chalten - Buenos Aires
Ónibus matinal para El Calafate, voo para Buenos Aires. A noite, San Telmo, Caminito em La Boca, jantar em parrilla.
Dia 7: Buenos Aires
Cemitério da Recoleta, MALBA, passeio por Palermo. El Ateneo Grand Splendid. Jantar de despedida, embarque.
10 dias - Das geleiras as cataratas
Versao expandida, adicionando Iguacu - uma das maravilhas da natureza. Este roteiro e perfeito para brasileiros que querem combinar a entrada mais fácil (via Foz do Iguacu) com a Patagónia.
Dias 1-6: Seguir o roteiro '7 dias - Clássicos da Patagónia'
Dia 7: Buenos Aires - Iguacu
Voo matinal para Puerto Iguazu (2 horas). Check-in. A noite, passeio pela cidade, jantar com peixe do Rio Paraná.
Dia 8: Cataratas do Iguacu (lado argentino)
Dia inteiro no parque nacional. Trilhas das Cataratas: circuitos superior e inferior. O principal e a Garganta do Diabo. Chegue na abertura, saia ao por do sol.
Dia 9: Cataratas do Iguacu (lado brasileiro) ou dia livre
Para brasileiros, nao precisa de visto! Visite o lado brasileiro para as vistas panorâmicas. Ou repita o lado argentino, explore as trilhas pela selva, faca um passeio de barco sob as cataratas.
Dia 10: Iguacu - Buenos Aires - embarque
Voo matinal para Buenos Aires, conexão com voo internacional. Ou uma parada de algumas horas para compras e um ultimo tango. Brasileiros podem optar por sair direto por Foz do Iguacu.
14 dias - Argentina completa
Adicionamos Mendoza - vinho, montanhas e gastronomia.
Dias 1-7: Seguir o roteiro '7 dias - Clássicos da Patagónia'
Dia 8: Buenos Aires - Mendoza
Voo matinal ou ónibus noturno para Mendoza. Check-in, passeio pelo centro. A noite, jantar em um dos restaurantes com malbec.
Dia 9: Degustacoes de vinho
Rota do Vinho de Mendoza: Maipu ou Vale de Uco. 3-4 vinícolas, degustacoes, almoço entre os vinhedos. Retorno a cidade a noite.
Dia 10: Montanhas
Passeio a Potrerillos e ao pe do Aconcagua. Vistas do pico mais alto das Américas, ar de montanha, possibilidade de rafting ou cavalgada.
Dia 11: Mendoza - Iguacu
Voo para Puerto Iguazu (com conexão em Buenos Aires). Noite de descanso.
Dia 12: Cataratas do Iguacu (lado argentino)
Garganta do Diabo, trilhas das cataratas, passeio molhado sob os borrifos.
Dia 13: Cataratas (lado brasileiro) ou Tríplice Fronteira
Lado brasileiro para panorâmicas ou excursão ao marco da tríplice fronteira. Opcional: Paraguai para compras.
Dia 14: Iguacu - Buenos Aires - embarque
Retorno, ultimas compras, voo de volta. Ou saída por Foz do Iguacu para brasileiros.
21 dias - Imersão profunda
Tres semanas permitem adicionar o noroeste e ver toda a diversidade do pais.
Dias 1-3: Buenos Aires
Conhecimento completo da capital. Plaza de Mayo, Casa Rosada, Mercado de San Telmo, Cemitério da Recoleta, Teatro Cólon, Caminito, La Bombonera, Bosques de Palermo, MALBA. Show de tango e milonga.
Dias 4-5: Salta e arredores
Voo para Salta. Plaza 9 de Júlio, centro colonial. Passeio a Cafayate pela Quebrada de las Conchas - canyons vermelhos, vinícolas com torrontes.
Dias 6-7: Purmamarca e Salinas Grandes
Vila de Purmamarca com a montanha das sete cores. Subida as Salinas Grandes - o deslumbrante deserto de sal a 3.400 metros. Pernoite em Tilcara ou Humahuaca.
Dia 8: Quebrada de Humahuaca - Salta
Exploração do canyon: ruínas de púcara, igrejas coloniais, mercados de artesanato. Retorno a Salta.
Dia 9: Salta - Iguacu
Voo para Puerto Iguazu. Noite de descanso.
Dias 10-11: Cataratas do Iguacu
Um dia no lado argentino (Garganta do Diabo, trilhas). Um dia no lado brasileiro ou revisita.
Dia 12: Iguacu - Buenos Aires - Mendoza
Voo para Mendoza via Buenos Aires. Noite na cidade.
Dias 13-14: Mendoza
Rota do Vinho, degustacoes, Potrerillos, vista do Aconcagua. Gastronomia e relaxamento.
Dia 15: Mendoza - Bariloche
Voo para Bariloche. Check-in, passeio pelo centro, chocolate.
Dias 16-17: Bariloche
Circuito Chico, Cerro Campanário com vista deslumbrante. Rota dos Sete Lagos ou Ilha Victoria. Chocolaterias, passeios pelo lago.
Dia 18: Bariloche - El Calafate
Voo para El Calafate. Noite com cordeiro e vinho.
Dia 19: Geleira Perito Moreno
Geleira, plataformas de observação, desprendimento de icebergs. Mini-trekking na geleira.
Dia 20: El Chalten
Ida a El Chalten, trekking a Laguna de los Tres ou Laguna Torre. Vista do Fitz Roy.
Dia 21: El Calafate - Buenos Aires - embarque
Retorno a Buenos Aires, voo de volta para casa com bagagem cheia de memorias.
Conectividade e internet
Telefonia móvel
Tres operadoras principais: Claro, Movistar, Personal. A cobertura e boa nas cidades e ao longo das principais rodovias. Em áreas remotas da Patagónia e do noroeste, o sinal pode ser instável ou inexistente.
Um chip de turista e a melhor opção. Pode ser comprado no aeroporto de Ezeiza (caro) ou na cidade (mais barato). As lojas das operadoras estao em shoppings e nas ruas principais. E necessário passaporte para registrar. Recarga em quiosques (Rapipago, Pago Fácil) ou online.
Custo: cerca de US$ 10-15 / R$ 50-75 por um chip com 5-10 GB de dados. Isso e suficiente para duas semanas com uso moderado. Chamadas e SMS sao separados, mas com WhatsApp quase nao sao necessários.
eSIM (Airalo, Holafly e outros) e uma alternativa para telefones modernos. Comprado online com antecedência, ativado na chegada. Conveniente, mas geralmente mais caro que um chip local.
Wi-Fi
Wi-Fi gratuito esta disponível na maioria dos hotéis, hostels, cafés e restaurantes. Em Buenos Aires ha Wi-Fi publico em parques e praças (BA WiFi - funciona, mas e lento). A qualidade varia: no centro geralmente e boa, em lugares remotos depende da sorte.
Na Patagónia e no noroeste, a internet e mais lenta e menos confiável. Em El Chalten, o Wi-Fi pode ser a única conexão com o mundo, e ele pode ficar sobrecarregado no pico da temporada.
Roaming
Operadoras brasileiras oferecem roaming, mas os preços podem ser altos. Verifique os pacotes de dados internacionais antes de viajar. Claro, Vivo e TIM tem opcoes de pacotes diários ou semanais que podem valer a pena para viagens curtas.
Melhor: chip local para internet + chamadas por WiFi via WhatsApp/Telegram para falar com casa.
Gastronomia argentina
Carne - a religião do pais
A Argentina e um dos maiores consumidores de carne bovina do mundo (cerca de 50 kg por pessoa por ano). A carne aqui nao e apenas comida, e um ritual cultural. O asado (churrasco argentino) onde a carne e preparada no fogo aberto por horas e um evento familiar e de amigos, geralmente aos domingos. Para brasileiros, e interessante comparar com nosso churrasco - ha semelhanças, mas também diferenças marcantes no preparo e nos cortes.
Tipos de corte que voce deve conhecer:
- Bife de chorizo - similar ao nosso contra-file, o mais popular
- Bife de lomo - file mignon, o mais macio
- Entrana - fraldinha, com sabor pronunciado
- Vacio - vazio (similar a nossa fraldinha), parte do asado tradicional
- Ojo de bife - olho de bife, da parte da costela
A carne e pedida pelo ponto: jugoso (mal passada), a punto (ao ponto), bien cocido (bem passada). Os argentinos preferem a punto ou um pouco alem - carne crua nao faz parte da tradição.
A parrilla e o restaurante especializado em carne grelhada. Estao em todo lugar, dos mais simples a beira de estrada aos elegantes em Palermo. A parrillada mixta e um sortido de diferentes partes, incluindo miúdos (mollejas - timo, chinchulines - tripas) - para os corajosos.
O chimichurri e o molho de salsinha, alho, oregano, vinagre e óleo. E servido com a carne, e sem ele o asado e incompleto.
Alem da carne
Empanadas sao pasteis com diferentes recheios: carne (carne), frango (pollo), presunto e queijo (jamon y queso), legumes (verdura). Cada região tem seu estilo - em Salta adicionam batata, em Mendoza azeitonas. Aperitivo perfeito ou lanche rápido.
A milanesa e um bife a milanesa, geralmente de carne ou frango. A milanesa a la napolitana leva molho de tomate e queijo. A milanesa con papas fritas (com batata frita) e um clássico do fast food argentino.
O choripan e um sanduíche de rua com chorizo (linguiça) e chimichurri. Vendido em estádios, feiras e por vendedores ambulantes. Simples, substancioso, delicioso.
O locro e uma sopa encorpada de milho, feijão e carne. Prato tradicional do noroeste, especialmente popular no Dia da Independência (25 de maio).
A pizza em Buenos Aires e especial. Massa grossa, muito queijo, pouco molho de tomate - herança italiana reinterpretada ao estilo argentino. A fugazzeta tem cebola e queijo, sem tomate. A faina e uma massa fina de farinha de grao-de-bico que se coloca sobre a pizza.
Frutos do mar sao melhores na Patagónia e no litoral atlântico. Merluza (pescada), salmon (salmão), centolla (caranguejo-rei) em Ushuaia, trucha (truta) em Bariloche. Em Buenos Aires, que fica longe do mar, seja seletivo.
Doces
Dulce de leche e o doce de leite, uma obsessão nacional. Adicionado em tudo: sobremesas, pao, café. Os alfajores sao bolachas com doce de leite entre duas camadas, cobertos com chocolate ou açúcar de confeiteiro. Melhores marcas: Havanna e Cachafaz. Brasileiros vao se sentir em casa com essa paixão pelo doce de leite!
As medialunas sao croissants argentinos, doces e glaceados. Servidos com café no café da manha.
O helado (sorvete) argentino e considerado um dos melhores do mundo, herança dos imigrantes italianos. Gelaterias em cada esquina, porcoes enormes, sabores inusitados (dulce de leche, sambayon, mascarpone).
Bebidas
O malbec e a uva carro-chefe argentina. Os vinhos de Mendoza competem com os melhores do mundo. Outras uvas: torrontes (branco aromático de Salta), cabernet sauvignon, bonarda.
O mate e uma bebida de ervas feita de folhas de erva-mate. Bebido em uma cuia especial (calabaza) com um canudo de metal (bombilla). E um ritual: o mate e passado em circulo, uma pessoa (cebador) prepara e adiciona agua. Se oferecerem, recusar e indelicado, mas nao precisa beber ate o fim - apenas devolva quando estiver satisfeito. Para brasileiros do sul, e muito familiar - praticamente o mesmo chimarrao!
O fernet con coca e um licor italiano amargo diluído em coca-cola. Parece estranho, mas e a bebida cult da juventude, especialmente em Córdoba.
O café - a cultura do café e desenvolvida, herança italiana. Cortado e espresso com um pouco de leite. Lágrima e basicamente leite com uma gota de café. Café con leche e para o café da manha.
Compras na Argentina
Vinho
O malbec e a escolha óbvia. Procure garrafas do Vale de Uco ou Lujan de Cuyo - as melhores regiões. Preços de US$ 5 / R$ 25 para um vinho decente ate US$ 50+ / R$ 250+ para reservas top. No aeroporto de Ezeiza ha lojas duty-free, mas a seleção na cidade e melhor e os preços menores. Lembre-se dos limites de transporte de álcool (geralmente 2-3 litros por pessoa).
O torrontes de Salta e um vinho branco aromático que raramente e exportado. Ótimo presente para quem entende de vinhos.
Dulce de leche
Potes de dulce de leche sao lembrancinhas clássicas. La Serenisima, Havanna, Chimbote sao boas marcas. Dura muito tempo, chega sem problemas. Alfajores com doce de leite também sao ótimos presentes.
Couro
A Argentina e um pais de gado, portanto, de bom couro. Bolsas, cintos, carteiras, jaquetas - qualidade alta, preços mais baixos que na Europa. Melhores lojas em Palermo e na Calle Florida em Buenos Aires. Verifique a qualidade: couro autentico tem cheiro de couro, nao de química.
Mate e acessórios
Kit de mate: cuia (calabaza ou de madeira/metal), bombilla (canudo), garrafa térmica, erva-mate (yerba mate). Vendido em qualquer supermercado ou lojas especializadas. As cuias tradicionais sao bonitas, mas podem ser frágeis. As de metal ou madeira sao mais praticas.
Artesanato
Do noroeste: ponchos de la de lhama, têxteis com padrões indígenas, joias de prata. Os mercados em Salta, Purmamarca, Tilcara sao os melhores lugares.
Da Patagónia: artigos de la de ovelha - sueters, cachecóis, cobertores. Bariloche e famoso pelo chocolate - leve como presente.
Tango
Musica: CDs ou vinil com clássicos do tango (Piazzolla, Gardel, Pugliese). Livros sobre tango. Sapatos de tango - Buenos Aires e uma das melhores cidades para comprar sapatos profissionais de tango (Comme il Faut, Neotango).
Tax Free
A devolução do IVA (21%) e possível para compras acima de determinado valor (verifique o limite atual). E feita em lojas com o logo Global Blue ou Tax Free. A devolução e no aeroporto antes do embarque. O processo e burocrático, mas para compras grandes vale a pena.
Aplicativos úteis
Navegação e transporte
Google Maps funciona muito bem, incluindo transporte publico em Buenos Aires. Mapas offline - baixe com antecedência para áreas sem sinal.
Waze para motoristas - considera transito e policia.
Como Llego e o aplicativo oficial de Buenos Aires para rotas de transporte publico.
Uber funciona nas grandes cidades. Cabify e uma alternativa.
Omio, Busbud para reservar ónibus de longa distancia.
Idioma e comunicação
Google Tradutor com tradução offline e camera para menus e placas.
WhatsApp e o principal meio de comunicação na Argentina. Todos usam, incluindo empresas.
Comida e restaurantes
TripAdvisor, Google Maps para avaliacoes de restaurantes.
TheFork (LaFourchette) para reservas com descontos.
Dinheiro
XE Currency, Wise para conversor de moedas com cotação atualizada.
Western Union para receber dinheiro com boa cotação.
Especiais
Wikiloc, AllTrails para trilhas com GPS na Patagónia.
Windy para previsão do tempo e vento - critico na Patagónia.
iOverlander para viajantes de carro: postos de gasolina, campings, pontos de interesse.
Vistos e documentação
Para brasileiros
Brasileiros NAO precisam de visto para entrar na Argentina como turistas. Basta apresentar:
- Documento de identidade (RG) com foto recente e em bom estado - nao precisa de passaporte!
- Ou passaporte valido
A permanência permitida e de 90 dias, renováveis por mais 90 dias mediante solicitação. Na pratica, basta sair e reentrar no pais (uma ida rápida ao Uruguai, por exemplo).
Atenção: o RG deve estar em bom estado de conservação e com foto que permita identificação. Documentos muito antigos, com foto de criança ou danificados podem causar problemas na imigração. Na duvida, leve o passaporte.
Para dirigir, a CNH brasileira e aceita, mas a Permissão Internacional para Dirigir (PID) e recomendada, especialmente se for alugar carro ou em caso de problemas.
Para portugueses
Cidadãos portugueses também NAO precisam de visto para turismo na Argentina. Basta apresentar:
- Passaporte valido por pelo menos 6 meses alem da data de entrada
A permanência permitida e de 90 dias.
Para visitar o Brasil (lado brasileiro das cataratas)
Se voce estiver na Argentina e quiser visitar o lado brasileiro das Cataratas do Iguacu:
- Brasileiros: obviamente, nenhum problema - e voltar para casa!
- Portugueses e europeus: nao precisam de visto para o Brasil (turismo ate 90 dias)
Conclusão
A Argentina e um pais que nao cabe em uma única viagem. Voce pode passar uma semana aqui e se apaixonar, passar um mes e perceber que mal arranhou a superfície, voltar depois de um ano e descobrir facetas completamente novas. E um pais de contrastes, emocoes e diversidade infinita - das massas geladas da Patagónia ao rugido tropical de Iguacu, do tango elegante de Buenos Aires ao silencio dos desertos de sal dos Andes.
A Argentina ensina a desacelerar. Aqui nao funciona o turismo de corrida - 'vi, fotografei, corri para o próximo'. Este pais exige uma pausa: um jantar longo com conversas e vinho, um trekking lento com paradas em cada mirante, a paciência de esperar ate o Fitz Roy sair das nuvens. E a recompensa por essa paciência sao momentos que ficam para a vida toda.
Para nos brasileiros, a Argentina oferece algo especial. A proximidade permite viagens mais frequentes e mais baratas. A rivalidade amigável no futebol adiciona tempero a experiência. A similaridade cultural - o gosto pela conversa, pela comida, pela festa - nos faz sentir em casa, enquanto as diferenças nos surpreendem e encantam. E o tipo de destino que voce pode visitar varias vezes na vida, cada vez descobrindo algo novo.
A Argentina surpreende por sua acessibilidade. Apesar da distancia e do exotismo, e um dos países mais convenientes para viajantes na América do Sul. A logística e compreensível, as estradas sao razoáveis, o turismo interno e desenvolvido. A barreira linguística e superável (especialmente com nosso portunhol!), a segurança esta acima da media da região, e a hospitalidade e genuína, nao encenada. Os argentinos gostam de receber visitantes e compartilham seu pais com prazer.
O que levar da Argentina, alem das lembrancinhas? O sabor de um malbec autentico, depois do qual as prateleiras de vinho em casa parecerão sem graça. A melodia do tango que ressoará na cabeça nos momentos mais inesperados. A lembrança do estrondo do gelo caindo e do silencio dos lagos de montanha. E, possivelmente, planos de voltar - porque a Argentina nao solta.
Informacoes atualizadas para 2026. Requisitos de visto, preços e condicoes podem mudar - verifique antes da viagem em fontes oficiais. As taxas de cambio sao aproximadas e mudam diariamente.