Alexandria
Alexandria 2026: o que você precisa saber
Alexandria não é o Egito que você imagina. Esqueça as pirâmides e o deserto — aqui é o Mediterrâneo, brisa marítima, cafés à beira-mar e uma atmosfera que mistura Grécia, Itália e mundo árabe. Passei três semanas nesta cidade e posso dizer: Alexandria é o segredo mais bem guardado do turismo egípcio.
A segunda maior cidade do Egito (mais de 5 milhões de habitantes) foi fundada por Alexandre, o Grande, em 331 a.C. e já foi o centro intelectual do mundo antigo. A famosa biblioteca original pode ter desaparecido, mas o espírito cosmopolita permanece. Aqui você encontra gregos, italianos, franceses — gerações de famílias que nunca saíram.
O essencial para 2026: A cidade está mais acessível do que nunca. O novo terminal do aeroporto facilitou conexões, os preços continuam muito abaixo de destinos europeus comparáveis, e o governo investiu pesado na restauração do centro histórico. Um café com vista para o mar custa USD 2 (BRL 10 / EUR 1,80). Um almoço completo em restaurante local, USD 8-12 (BRL 40-60 / EUR 7-11).
Mas sejamos honestos: Alexandria não é perfeita. O trânsito é caótico, alguns bairros precisam de manutenção, e o calor no verão pode ser sufocante. Porém, se você busca autenticidade, história viva e aquela sensação de descoberta que falta em destinos turistificados, Alexandria entrega. E entrega muito.
Bairros: onde ficar
A escolha do bairro em Alexandria faz toda a diferença na sua experiência. A cidade se estende por mais de 30 km ao longo da costa, então estar no lugar errado significa perder tempo precioso em deslocamentos. Vou detalhar as melhores opções para diferentes perfis de viajante.
Centro Histórico (El-Manshiya e Raml Station)
Este é o coração pulsante de Alexandria, onde a história encontra a vida cotidiana. A área ao redor da Raml Station (estação de bonde) concentra a arquitetura colonial mais impressionante, cafés centenários e fácil acesso às principais atrações. Daqui você caminha até a Corniche de Alexandria, o Anfiteatro Romano e a Biblioteca de Alexandria.
Hospedagem: O Paradise Inn Windsor Palace (USD 60-90/noite) ocupa um edifício histórico de 1906 com vista para o mar — vale cada centavo pela experiência. Para orçamentos menores, o Alexander the Great Hotel oferece quartos simples mas limpos por USD 25-35. Hostels são raros aqui, mas o Cherry House Hostel funciona bem para mochileiros (USD 12-15/dormitório).
Vantagens: Localização central, atmosfera autêntica, preços acessíveis em restaurantes e cafés, transporte público fácil.
Desvantagens: Pode ser barulhento, alguns edifícios precisam de reforma, trânsito intenso nas horas de pico.
Sidi Gaber e Sporting
Bairros residenciais de classe média-alta, mais tranquilos que o centro mas ainda bem conectados. Aqui ficam alguns dos melhores restaurantes da cidade e shopping centers modernos. É uma boa base se você prefere conforto e não se importa em pegar táxi para as atrações.
Hospedagem: O Sheraton Montazah (USD 120-180) é a opção premium, com praia privativa. Mais acessível, o Iberotel Borg El Arab (USD 70-100) oferece excelente custo-benefício. Apartamentos pelo Airbnb custam USD 40-60/noite para unidades completas.
Vantagens: Mais silencioso, opções gastronômicas variadas, sensação de viver como local.
Desvantagens: Menos atmosfera histórica, precisa de transporte para atrações principais.
Montazah
No extremo leste da cidade, Montazah é sinônimo de praias e natureza. O Palácio e Jardins de Montazah são a estrela da região — um oásis verde com praias exclusivas. Este bairro é ideal para famílias e quem busca descanso, mas fica longe do centro histórico (30-40 minutos de táxi).
Hospedagem: Além do Sheraton mencionado, há resorts menores como o Helnan Palestine (USD 90-140) com acesso direto aos jardins do palácio. Para economia, apartamentos de temporada custam USD 35-50/noite.
Vantagens: Praias, ar mais limpo, ambiente familiar, jardins magníficos.
Desvantagens: Distante das atrações históricas, menos vida noturna, dependência de táxi.
Anfushi e Bahary
Bairros tradicionais de pescadores próximos à Cidadela de Qaitbay. Aqui você encontra o Egito mais autêntico — mercados de peixe, mesquitas antigas, ruelas estreitas. Não é para todos: a infraestrutura turística é limitada e o inglês raramente é falado. Mas se você busca imersão cultural total, não há lugar melhor.
Hospedagem: Opções limitadas. O New Capri Hotel (USD 20-30) é básico mas limpo. Melhor considerar ficar no centro e visitar durante o dia.
Vantagens: Autenticidade extrema, preços imbatíveis, melhor peixe fresco da cidade.
Desvantagens: Infraestrutura turística mínima, barreira linguística, pode ser intimidador para viajantes inexperientes.
Minha recomendação
Para primeira visita, fique no Centro Histórico. Você terá a melhor combinação de localização, atmosfera e praticidade. Se tiver mais de 5 dias, considere dividir a estadia: metade no centro, metade em Montazah para relaxar nas praias.
Melhor época para visitar
Alexandria tem clima mediterrâneo, o que significa verões quentes e secos, invernos amenos e chuvosos. Diferente do resto do Egito, aqui você realmente precisa considerar a época do ano.
Alta temporada: Junho a Agosto
Os egípcios do Cairo fogem para cá no verão, buscando a brisa do mar. Temperaturas entre 25-32°C são agradáveis comparadas aos 45°C do interior. Porém, a cidade lota: praias superlotadas, preços de hospedagem sobem 30-50%, filas em restaurantes populares. Se vier nesta época, reserve hospedagem com pelo menos um mês de antecedência.
Vantagens: Melhor época para praia, dias longos, muita animação.
Desvantagens: Multidões de turistas locais, preços elevados, algumas atrações ficam muito cheias.
Temporada ideal: Março a Maio e Setembro a Novembro
Esta é a minha recomendação. Temperaturas entre 18-28°C, poucos turistas, preços baixos. Abril e outubro são especialmente perfeitos — você pode nadar no mar (água a 22-24°C) e visitar atrações sem enfrentar multidões. O único porém é o vento Khamsin em abril, que traz areia do deserto por alguns dias.
Março-Abril: Primavera mediterrânea, flores nos jardins de Montazah, temperatura média de 20°C. Possíveis tempestades de areia.
Setembro-Outubro: Mar ainda quente do verão, clima estabilizado, ótimo para combinar praia e cultura.
Novembro: Início das chuvas ocasionais, mas ainda agradável. Menos movimento, excelente para fotografia com luz suave.
Baixa temporada: Dezembro a Fevereiro
Inverno em Alexandria não é severo (10-18°C), mas chove bastante — especialmente janeiro. Mar agitado, impróprio para banho. Porém, se você não liga para praia e quer explorar museus, sítios arqueológicos e cafés sem multidões, esta época funciona perfeitamente. Preços de hospedagem caem até 40%.
Dica importante: As Catacumbas de Kom El Shoqafa e o Museu Nacional de Alexandria são programas perfeitos para dias chuvosos. Planeje atividades cobertas para esta época.
Eventos especiais
Festival de Cinema de Alexandria (setembro): Evento cultural importante, atrai cineastas do mundo árabe.
Ramadã: Datas variam. Muitos restaurantes fecham durante o dia, mas as noites são mágicas com iftar (quebra do jejum) nas ruas.
Roteiro: de 2 a 5 dias
Alexandria recompensa quem vai devagar. Diferente do Cairo, onde você corre de pirâmide em pirâmide, aqui o prazer está em absorver a atmosfera. Mas se você tem tempo limitado, estes roteiros otimizam cada dia.
Roteiro de 2 dias: O Essencial
Dia 1 — História Antiga
Comece cedo (8h) nas Catacumbas de Kom El Shoqafa, uma das maiores necrópoles romanas já descobertas. O sítio abre às 9h — chegue antes para evitar grupos de excursão. Reserve 1-1,5 hora. Entrada: USD 8 (BRL 40).
De lá, caminhe até o Pilar de Pompeu (15 minutos a pé). A coluna de 27 metros é impressionante, mas o sítio em si leva apenas 30-40 minutos. Entrada: USD 6 (BRL 30).
Almoço no bairro de Karmouz — restaurantes locais servem kushary (prato nacional egípcio) por USD 2-3. Experimente o Abou Tarek se estiver aberto.
À tarde, explore o Anfiteatro Romano (1 hora, USD 6) e termine no Museu Nacional de Alexandria (2 horas, USD 8). O museu fecha às 17h — planeje chegar até 15h.
Jantar na Corniche, assistindo o pôr do sol sobre o Mediterrâneo.
Dia 2 — Beira-Mar e Cultura
Manhã na Biblioteca de Alexandria. Abra às 10h (sábado-quinta). Reserve 2-3 horas — além dos livros, há museus de manuscritos, ciência e antiguidades. Entrada: USD 5 (BRL 25). A arquitetura moderna é espetacular.
Caminhada pela Corniche de Alexandria até a Cidadela de Qaitbay (3-4 km, 45 minutos). A cidadela ocupa o local do antigo Farol de Alexandria — uma das sete maravilhas do mundo antigo. Entrada: USD 8. Vista panorâmica imperdível ao entardecer.
Jantar em Anfushi — peça peixe grelhado fresco nos restaurantes de rua. Custo: USD 10-15 por pessoa com fartura.
Roteiro de 3 dias: Adicione Profundidade
Siga os dois primeiros dias acima, depois:
Dia 3 — Montazah e Museus
Manhã nos Jardins de Montazah. Chegue às 8h quando abre — os jardins são enormes (60 hectares) e ficam cheios à tarde. Entrada: USD 3 (BRL 15). Traga lanche e água. Se quiser nadar, as praias dentro do complexo são mais limpas que as públicas.
Almoço no Tikka Grill dentro do complexo ou nos restaurantes próximos ao Sheraton.
Tarde no Museu de Joias Reais. Instalado em um palácio da família real, exibe joias das rainhas do Egito. O edifício em si vale a visita. Entrada: USD 8. Reserve 1,5-2 horas.
Passeio pela Ponte Stanley ao entardecer. A ponte iluminada à noite é cartão postal de Alexandria moderna.
Roteiro de 4-5 dias: Imersão Completa
Com mais tempo, você pode explorar além do óbvio:
Dia 4 — Dia de Praia e Vida Local
Escolha uma praia: Maamoura (familiar, infraestrutura), Miami Beach (jovem, animada) ou El-Agamy (mais afastada, menos lotada). Aluguel de guarda-sol e cadeiras: USD 5-10/dia.
À noite, explore o mercado de Attarine — antiguidades, especiarias, artesanato. Pechinche sempre (comece oferecendo 30% do preço pedido).
Dia 5 — Excursão a El-Alamein ou Rosetta
El-Alamein (100 km oeste): Cemitérios e museu da Segunda Guerra Mundial. Tours saem às 8h, retornam às 15h. Custo: USD 40-60 por pessoa em grupo.
Rosetta (Rashid) (65 km leste): Cidade onde foi encontrada a Pedra de Roseta. Arquitetura otomana preservada, atmosfera de cidade pequena. Menos turístico, mais autêntico. Ônibus público custa USD 2, táxi privado USD 30 ida e volta.
Dicas para otimizar o roteiro
- Sítios arqueológicos: visite pela manhã (menos calor, menos gente)
- Museus: perfeitos para tardes quentes ou dias chuvosos
- Corniche: melhor ao entardecer para luz fotográfica e temperatura agradável
- Sexta-feira: muitos locais abrem mais tarde ou fecham para oração — planeje atividades à tarde
- Segunda-feira: Biblioteca de Alexandria fecha
Onde comer: restaurantes
A culinária de Alexandria combina influências mediterrâneas, levantinas e egípcias tradicionais. Frutos do mar dominam, mas você encontra de tudo. Os preços são significativamente menores que em destinos europeus comparáveis.
Frutos do Mar
Fish Market (Souq El-Samak) — O conceito é simples: você escolhe o peixe fresco no balcão, pesa, e eles preparam. Camarões, lulas, robalos, tudo fresquíssimo. Um quilo de peixe grelhado com acompanhamentos custa USD 15-25 (BRL 75-125). Localização: Anfushi, próximo à Cidadela. Lotado nos fins de semana — vá durante a semana ou chegue às 12h.
Kadoura — Instituição local desde 1950. Nada sofisticado: mesas de plástico, garçons apressados, mas o peixe é impecável. Peça a recomendação do dia. Média: USD 12-18 por pessoa. Endereço: 33 Bahary, próximo à Corniche. Não aceita reservas — chegue cedo.
Balbaa Village — Para quem quer ambiente mais confortável. Restaurante amplo com vista para o mar, cardápio extenso de frutos do mar e grelhados. Preços ligeiramente mais altos (USD 20-30 por pessoa) mas justificados pelo conforto. Ideal para famílias. Várias unidades na cidade.
Culinária Egípcia Tradicional
Mohamed Ahmed — O melhor ful medames (fava cozida) e falafel de Alexandria. Funciona desde 1950, filas na porta comprovam a qualidade. Café da manhã completo por USD 3-5. Endereço: 17 Shakour Street, centro. Abre às 6h — ideal para começar o dia cedo antes dos passeios.
Abou Ashraf — Especializado em kushari, o prato nacional egípcio (macarrão, arroz, lentilhas, grão-de-bico, molho de tomate e cebola frita). Uma tigela grande custa USD 2-3. Simples, delicioso, vegetariano. Diversas unidades pela cidade.
Cafés Históricos
Trianon — Café em funcionamento desde 1905, mantém decoração belle époque original. Frequentado por intelectuais e escritores — Naguib Mahfouz escreveu aqui. Café turco: USD 2. Doces franceses: USD 3-5. Endereço: Raml Station. Ambiente vale mais que a comida.
Brazilian Coffee Stores — Apesar do nome, nada brasileiro. Torrefação desde 1929, importam grãos do mundo todo. O café é excelente e você pode comprar para levar. Localização: Saad Zaghloul Street.
Opções Modernas
Chez Gaby — Culinária francesa-mediterrânea em ambiente elegante. Menu de degustação por USD 40-50, pratos principais USD 15-25. Reservas recomendadas, especialmente fins de semana. Localização: Sidi Gaber. Aceita cartões internacionais.
Tikka Grill — Grelhados de qualidade em ambiente casual. Bom para famílias. USD 15-20 por pessoa. Várias unidades, incluindo no complexo Montazah.
Dicas práticas
- Gorjeta: 10-15% é esperado em restaurantes com serviço de mesa
- Reservas: Necessárias apenas em restaurantes finos ou fins de semana em locais populares
- Cartões: Muitos restaurantes tradicionais aceitam apenas dinheiro. Leve libras egípcias
- Horários: Almoço das 13h às 16h, jantar das 20h às 23h. Restaurantes de frutos do mar lotam às sextas e sábados à noite
O que experimentar: comida
A gastronomia alexandrina merece atenção especial. A cidade sempre foi porto comercial, misturando sabores de todo o Mediterrâneo. Aqui estão os pratos que você não pode perder.
Frutos do Mar
Sayadeya — Arroz cozido em caldo de peixe com cebolas caramelizadas, servido com peixe inteiro frito ou grelhado. O arroz absorve todo o sabor do mar. É o prato mais representativo de Alexandria. Custo: USD 8-15 dependendo do peixe.
Gambari (Camarões) — Preparados de múltiplas formas: grelhados com alho, fritos em massa, ou em molho de tomate picante. Alexandria tem os melhores camarões do Egito. Porção generosa: USD 10-18.
Calamari — Lulas grelhadas ou fritas, servidas com limão e tahine. Simples e perfeito. USD 8-12.
Pratos Egípcios Essenciais
Ful Medames — Favas cozidas lentamente durante a noite, temperadas com azeite, limão, cominho e alho. Servido no café da manhã com pão baladi (pão árabe). Prato nacional, baratíssimo (USD 1-2) e incrivelmente satisfatório.
Taameya (Falafel Egípcio) — Diferente do falafel levantino (feito de grão-de-bico), a versão egípcia usa favas e é mais verde por dentro. Crocante por fora, macio por dentro. Impossível comer só um. USD 0,50 cada.
Kushari — Carboidratos em camadas: arroz, macarrão, lentilhas, grão-de-bico, cobertos com molho de tomate e cebola frita. Parece estranho, funciona perfeitamente. Vegetariano e absurdamente barato (USD 2-3 por porção grande).
Molokhia — Sopa espessa de folhas de corchorus (planta nativa) com alho e coentro, servida sobre arroz com frango ou coelho. Textura viscosa pode surpreender, mas o sabor é incrível.
Doces e Sobremesas
Konafa — Massa finíssima semelhante a cabelo de anjo, recheada com creme ou queijo, encharcada em calda de açúcar. Servida quente. A versão com creme (konafa bil-qishta) é a mais popular. USD 2-4 por porção.
Basbousa — Bolo de semolina embebido em calda, às vezes com coco. Doce, denso, perfeito com chá. USD 1-2.
Om Ali — 'Mãe de Ali' é um pudim de pão com leite, nozes, passas e canela, gratinado no forno. Sobremesa reconfortante para noites frias de inverno.
Bebidas
Café Turco — Preparado no cezve (ibrik), forte e aromático. Peça 'sada' (sem açúcar), 'mazbout' (médio) ou 'ziyada' (muito doce). USD 1-2.
Chá de hibisco (Karkadeh) — Bebida vermelha, pode ser servida quente ou gelada. Refrescante, levemente ácida, cheia de vitamina C. USD 1.
Sucos frescos — Barracas por toda cidade vendem sucos de manga, morango, cana-de-açúcar, romã. USD 1-2 o copo grande. O de cana-de-açúcar é obrigatório.
Onde encontrar
Para frutos do mar: área de Anfushi e Bahary. Para ful e taameya: qualquer esquina pela manhã, mas Mohamed Ahmed é referência. Para doces: confeitarias no centro, especialmente próximo à Raml Station. Para sucos: barracas ao longo da Corniche.
Segredos locais: dicas de quem conhece
Depois de três semanas em Alexandria, conversando com moradores e explorando além do óbvio, acumulei informações que você não encontra em guias convencionais.
Horários estratégicos
A Biblioteca de Alexandria às 10h de terça-feira — Momento mais vazio da semana. Estudantes locais vêm aos fins de semana, grupos de turismo chegam após as 11h. Se você quer fotografar a arquitetura sem multidões, este é o horário.
Cidadela de Qaitbay às 16h — A maioria dos tours chega pela manhã. No fim da tarde, você praticamente tem o lugar só para você, com luz perfeita para fotos e vista do pôr do sol incluída.
Catacumbas às 9h em ponto — Primeiro a entrar, última a sair das excursões. O sítio é pequeno e grupos causam congestionamento nas galerias estreitas.
Economia inteligente
Cartão de estudante — Se você tem cartão de estudante internacional (ISIC), muitas atrações oferecem 50% de desconto. Vale para Biblioteca, museus e sítios arqueológicos.
Bondes antigos — O sistema de bondes de Alexandria é um dos mais antigos do mundo (desde 1860) e custa centavos. A linha azul percorre toda a Corniche — transporte e passeio turístico em um.
Água — Garrafas de 1,5L nos supermercados custam USD 0,30. Nas atrações turísticas, USD 2. Compre antes de sair.
Experiências fora do radar
Mesquita de Abu al-Abbas al-Mursi — Não está nas listas turísticas principais, mas é uma das mesquitas mais bonitas do Egito. Arquitetura impressionante, atmosfera serena. Visitantes são bem-vindos fora dos horários de oração (tire os sapatos, mulheres cubram os ombros).
Mercado de Attarine — Labirinto de ruelas com antiguidades, joias, especiarias. Diferente dos mercados turísticos, aqui compradores são locais. Pechinche com calma, tome chá com os vendedores. Melhor experiência às quartas e sábados de manhã.
Banho público (Hammam) — O Hammam al-Sultan no centro oferece experiência autêntica por USD 10-15 (banho, esfoliação, massagem). Só para homens em horários alternados com mulheres — pergunte antes.
Evite estas armadilhas
Táxis sem taxímetro — Sempre negocie o preço antes ou insista no taxímetro. Do centro à Cidadela: máximo USD 5. Do centro a Montazah: máximo USD 10. Uber e Careem funcionam e eliminam a negociação.
Restaurantes com cardápio em inglês na Corniche — Preços 3x maiores que locais autênticos a uma quadra de distância. Se o menu tem fotos, provavelmente é armadilha turística.
Guias 'oficiais' nas atrações — Pessoas oferecendo tours na entrada geralmente não são credenciados. Se quiser guia, contrate através do hotel ou Viator com antecedência.
Para fotografias
Nascer do sol na Corniche — Às 5h30-6h no verão, pescadores já estão trabalhando, luz dourada sobre o mar, cidade ainda dormindo. O melhor horário fotográfico de Alexandria.
Ponte Stanley à noite — Iluminação espetacular, reflexos na água. Vá às 20h-21h quando está acesa mas antes de lotar com locais passeando.
Transporte e conectividade
Chegando a Alexandria
De avião — O Aeroporto Internacional Borg El Arab (HBE) fica 40 km a oeste da cidade. Voos diretos de várias cidades europeias e do Oriente Médio. De São Paulo, conexão via Cairo (EgyptAir), Dubai (Emirates) ou Istambul (Turkish). De Lisboa, conexão via Cairo ou Frankfurt. Espere 15-20 horas de viagem total.
Do aeroporto ao centro: táxi oficial USD 30-40 (45 minutos). Negocie antes de entrar. Uber/Careem funcionam e custam USD 20-25.
Do Cairo — A opção mais comum. Trem é confortável e cênico: 2,5-3 horas, USD 8-15 dependendo da classe. Primeira classe (ar-condicionado, assentos reservados) vale o extra. Partidas da estação Ramses a cada hora. Compre bilhete no dia, exceto feriados.
Ônibus: SuperJet e Go Bus oferecem serviço direto por USD 6-10, saindo de várias estações no Cairo. Duração: 3-4 horas dependendo do trânsito.
Dirigindo — Estrada Cairo-Alexandria é boa (220 km). Porém, dirigir em Alexandria é caótico mesmo para padrões egípcios. Não recomendo alugar carro a menos que você tenha experiência em países similares.
Movendo-se pela cidade
Táxi — Abundantes e baratos. Táxis amarelos são os oficiais. A maioria tem taxímetro, mas poucos ligam voluntariamente. Negocie antes ou peça 'el-adad' (taxímetro). Corridas típicas: centro a Montazah USD 8-12, centro a aeroporto USD 30-40.
Uber e Careem — Funcionam perfeitamente. Preços fixos, sem negociação, pagamento por cartão ou dinheiro. Recomendo fortemente, especialmente se você não fala árabe.
Bonde (Tramway) — Sistema histórico ainda em operação. Linhas amarelas (oeste) e azuis (leste) percorrem a costa. Viagem custa centavos, experiência cultural inclusa. Lento mas atmosférico.
Micro-ônibus — Vans compartilhadas que seguem rotas fixas. Baratíssimos (USD 0,30-0,50) mas confusos para turistas — destinos gritados em árabe, lotação constante. Para aventureiros.
A pé — O centro histórico é compacto e caminhável. Da Biblioteca à Cidadela são 4 km pela Corniche — caminhada agradável se não estiver muito quente. Calçadas irregulares em algumas áreas, atenção ao atravessar ruas.
Conectividade
Internet móvel — Chip local custa USD 5-10 com dados generosos. Operadoras: Vodafone, Orange, Etisalat. Compre no aeroporto ou qualquer loja de celular no centro. Precisará de passaporte. 4G funciona bem na cidade.
Wi-Fi — Hotéis de médio e alto padrão têm Wi-Fi gratuito, geralmente funcional. Cafés modernos também oferecem. Velocidade varia mas suficiente para comunicação básica.
VPN — Alguns sites (especialmente relacionados a Israel ou conteúdo adulto) são bloqueados no Egito. Se precisar de acesso irrestrito, baixe VPN antes de chegar.
Dinheiro e pagamentos
Moeda — Libra egípcia (EGP). Em março de 2026: USD 1 = aproximadamente EGP 50. BRL 1 = aproximadamente EGP 10. EUR 1 = aproximadamente EGP 55.
Câmbio — Casas de câmbio no centro e shopping centers. Bancos oferecem taxas similares mas demoram mais. ATMs abundantes aceitam cartões internacionais (taxas de USD 3-5 por saque).
Cartões — Aceitos em hotéis, restaurantes maiores e lojas em shopping centers. Estabelecimentos tradicionais preferem ou exigem dinheiro. Leve sempre libras em espécie.
Para quem é Alexandria: resumo
Alexandria é para viajantes que buscam profundidade, não apenas check-list de atrações. Se você quer história viva, comida extraordinária, atmosfera mediterrânea autêntica e preços acessíveis, esta cidade entrega tudo isso.
Ideal para: Amantes de história antiga e medieval, fotógrafos, gastrônomos, viajantes de orçamento moderado, quem quer escapar do turismo de massa, casais buscando romantismo mediterrâneo, quem já conhece Cairo e quer ver outro Egito.
Talvez não seja para: Quem busca resorts all-inclusive, praias caribenhas cristalinas, vida noturna intensa estilo europeu, ou não tolera bem caos urbano de grandes cidades.
Alexandria exige paciência e curiosidade, mas recompensa generosamente quem chega com mente aberta. É o Egito que poucos conhecem — e exatamente por isso, vale tanto a pena.