Cidade do México
Cidade do México 2026: O Que Saber Antes de Ir
A Cidade do México é uma daquelas metrópoles que desafia qualquer descrição simples. Com mais de 21 milhões de habitantes na região metropolitana, é a maior cidade da América Latina e uma das mais fascinantes do mundo. Mas deixe-me ser honesto desde o início: esta cidade não é para todos. Se você espera ruas limpas, organização suíça e ar puro, vai se frustrar. Agora, se está pronto para mergulhar em uma das culturas mais ricas do continente, comer como nunca comeu na vida e descobrir camadas de história que vão de pirâmides astecas a murais revolucionários, a CDMX (como os locais a chamam) vai te conquistar.
O que mais me surpreendeu quando morei lá foi a contradição constante. Bairros como Polanco parecem Beverly Hills, com boutiques de luxo e restaurantes estrelados, enquanto a poucos quilômetros você encontra mercados populares onde um almoço completo custa menos de 50 pesos (cerca de R$ 15 ou 2,50 EUR). A cidade tem mais museus que qualquer outra cidade das Américas, mais de 150 ao todo. Tem trânsito infernal, mas também um metrô eficiente que custa apenas 5 pesos (R$ 1,50). Tem poluição, mas também parques enormes como o Bosque de Chapultepec, maior que o Central Park de Nova York.
Para brasileiros, a Cidade do México oferece uma vantagem enorme: não precisa de visto para estadias de até 180 dias. Para portugueses, o mesmo se aplica. Os voos diretos de São Paulo levam cerca de 10 horas, e há opções com escala que podem ser mais baratas. De Lisboa, geralmente há conexão na Cidade do México via Madrid ou Miami. O fuso horário é de apenas 2-3 horas de diferença do Brasil (dependendo do horário de verão), o que facilita muito a adaptação.
Uma coisa que ninguém te conta: a altitude de 2.240 metros afeta mais do que você imagina. Nos primeiros dias, subir escadas vai parecer que você correu uma maratona. Beber álcool vai te atingir mais forte. A ressaca é pior. E se você tem problemas respiratórios, consulte um médico antes de viajar. A boa notícia é que seu corpo se adapta em 3-4 dias.
Bairros: Onde Ficar na Cidade do México
A escolha do bairro pode fazer ou quebrar sua experiência na CDMX. A cidade é gigantesca, e ficar no lugar errado significa perder horas no trânsito. Aqui está minha análise honesta de cada zona turística:
Roma e Condesa: O Queridinho dos Estrangeiros
Os bairros Roma e Condesa são onde a maioria dos turistas e expatriados se hospeda, e por boas razões. Ruas arborizadas, cafeterias descoladas, restaurantes excelentes e uma vibe que lembra o Leblon ou os Jardins. A Roma Norte especificamente tem a melhor combinação de autenticidade mexicana com conforto moderno. A Condesa é um pouco mais calma e residencial.
Preços de hospedagem: Airbnb de um quarto entre R$ 200-400/noite (35-70 EUR). Hotéis boutique a partir de R$ 500/noite (85 EUR). Hostels entre R$ 80-150/noite (15-25 EUR).
Desvantagens: Pode parecer uma bolha gringa. Você vai ouvir mais inglês que espanhol em alguns cafés. Também é uma das zonas mais caras da cidade.
Para quem: Primeira visita, casais, quem quer conforto e segurança.
Centro Histórico: Imersão Total
Ficar no Centro Histórico significa acordar com vista para a Catedral Metropolitana e o Zócalo. É intenso, barulhento, caótico, e completamente autêntico. O Palácio de Belas Artes e o Templo Mayor estão a poucos passos. O Palácio Postal, uma das construções mais bonitas da cidade, fica ali do lado.
Preços de hospedagem: Hostels a partir de R$ 60/noite (10 EUR). Hotéis históricos entre R$ 300-600/noite (50-100 EUR). O Gran Hotel Ciudad de México, com seu teto de vitrais art nouveau, custa cerca de R$ 800/noite (135 EUR), mas vale a pena pelo menos tomar um café no lobby.
Desvantagens: Algumas ruas ficam desertas à noite e não são seguras. O barulho começa às 6h com vendedores ambulantes. O ar é mais poluído.
Para quem: Amantes de história, viajantes experientes, quem não se importa com conforto básico.
Polanco: Luxo e Gastronomia
O bairro Polanco é o mais elegante da cidade. Aqui ficam os melhores restaurantes do México (e da América Latina), incluindo o Pujol, constantemente listado entre os melhores do mundo. O Museo Soumaya, com sua arquitetura impressionante e entrada gratuita, é imperdível. A Avenida Presidente Masaryk é a mais cara do país.
Preços de hospedagem: Hotéis de luxo como W, St. Regis ou JW Marriott a partir de R$ 1.200/noite (200 EUR). Airbnbs de qualidade entre R$ 400-700/noite (70-120 EUR).
Desvantagens: Caro para tudo. Menos autêntico. Pode parecer que você está em qualquer cidade global, não no México.
Para quem: Viajantes de luxo, foodies sérios, quem viaja a negócios.
Coyoacán: O México Boêmio
O bairro de Coyoacán é onde Frida Kahlo nasceu e viveu. É uma espécie de vila dentro da metrópole, com praças coloniais, igrejas antigas e uma atmosfera de cidade pequena. O Museu Frida Kahlo (La Casa Azul) é a principal atração, mas o bairro inteiro merece ser explorado.
Preços de hospedagem: Mais limitados que outras zonas. Airbnbs entre R$ 180-350/noite (30-60 EUR). Poucos hotéis, e os que existem são pequenos e charmosos.
Desvantagens: Fica longe do Centro e de outros pontos turísticos. Menos opções de vida noturna. O metrô não chega diretamente, precisa pegar Uber ou ônibus.
Para quem: Artistas, casais em lua de mel, quem quer fugir do caos urbano.
San Ángel: Charme Colonial
O bairro de San Ángel é ainda mais tranquilo que Coyoacán. Suas ruas de paralelepípedo, mansões coloniais e jardins bem cuidados fazem você esquecer que está numa megalópole. O mercado de artesanato aos sábados é famoso em toda a cidade.
Preços de hospedagem: Poucas opções de hospedagem, principalmente casas para alugar. Espere pagar R$ 250-500/noite (45-85 EUR).
Para quem: Estadias longas, quem busca paz absoluta, famílias.
Melhor Época para Visitar a Cidade do México
A Cidade do México tem um clima que surpreende muita gente. Apesar de estar no México, não é tropical nem quente o ano todo. A altitude de 2.240 metros garante temperaturas amenas, entre 12°C e 26°C na maior parte do ano. Brasileiros de São Paulo vão se sentir em casa; portugueses vão achar parecido com um verão português, só que com sol mais forte.
Temporada Seca: Novembro a Abril
Esta é considerada a melhor época para visitar. O céu fica azul quase todos os dias, a poluição diminui (relativamente), e as temperaturas são perfeitas: dias entre 22°C e 26°C, noites entre 8°C e 12°C. Dezembro e janeiro podem ter noites frias, então traga um casaco. Fevereiro e março são os meses mais secos e ensolarados.
Desvantagem: Alta temporada significa preços mais altos e mais turistas. A semana entre Natal e Ano Novo é especialmente movimentada, assim como a Semana Santa (março ou abril).
Temporada de Chuvas: Maio a Outubro
Não deixe as chuvas te assustarem. O padrão típico é: manhãs ensolaradas, nuvens à tarde, chuva forte entre 16h e 19h, depois limpa. Você ainda pode aproveitar bem o dia se planejar atividades ao ar livre para a manhã. Junho é o mês mais chuvoso. Setembro tem risco de terremotos (o devastador de 1985 foi em 19 de setembro, assim como o de 2017), mas isso não deve impedir sua viagem, apenas saiba onde ficam as saídas de emergência.
Vantagens: Preços mais baixos em hospedagem, menos filas nos museus, a cidade fica mais verde.
Eventos e Feriados
Dia dos Mortos (1-2 de novembro): A época mais especial para visitar. As ruas se enchem de altares coloridos, flores de cempasúchil (calêndula mexicana), e a cidade ganha uma energia única. O desfile no Centro Histórico é impressionante. Reserve hospedagem com meses de antecedência.
Independência (15-16 de setembro): O Grito de Dolores na noite do dia 15 no Zócalo é uma experiência inesquecível. Milhares de pessoas se reúnem para ouvir o presidente repetir o grito histórico. Mas hotéis ficam lotados e caros.
Semana Santa: Muitos mexicanos viajam, então a cidade fica mais vazia. Boa época para visitar, apesar de alguns estabelecimentos fecharem.
Roteiro: De 3 a 7 Dias na Cidade do México
3 Dias: O Essencial
Dia 1: Centro Histórico
Comece cedo no Zócalo, a praça principal. Visite o Palácio Nacional para ver os murais de Diego Rivera, que contam toda a história do México em imagens. A entrada é gratuita, mas você precisa de documento de identidade. Em seguida, explore o Templo Mayor, as ruínas do principal templo asteca, descobertas em 1978 bem no centro da cidade. A entrada custa 95 pesos (R$ 28 ou 5 EUR).
Almoce no Café de Tacuba, restaurante tradicional desde 1912, ou no Hostería de Santo Domingo, o mais antigo da cidade (desde 1860). Espere pagar R$ 80-120 (15-20 EUR) por pessoa. À tarde, caminhe pela rua Madero até o Palácio de Belas Artes. Se tiver sorte, pode pegar um concerto ou apresentação de ballet folclórico. Termine o dia na Alameda Central, o parque público mais antigo das Américas.
Dia 2: Chapultepec e Polanco
Dedique a manhã ao Museu Nacional de Antropologia, no Bosque de Chapultepec. Este é simplesmente o melhor museu de antropologia da América Latina, talvez do mundo. A Pedra do Sol (calendário asteca), as reproduções de tumbas maias, a sala dos Olmecas, tudo é impressionante. Reserve pelo menos 3-4 horas. Entrada: 95 pesos (R$ 28 ou 5 EUR). Domingos é gratuito para mexicanos e residentes, então fica lotado.
Almoce em Polanco. Se o orçamento permitir, reserve no Quintonil ou Pujol (precisa agendar semanas antes). Para algo mais acessível, o Eno tem ótimas opções por R$ 100-150 (17-25 EUR). À tarde, visite o Museo Soumaya (gratuito) e caminhe pelo bairro de Polanco. Se tiver energia, suba ao Castelo de Chapultepec para ver o pôr do sol sobre a cidade.
Dia 3: Coyoacán e Xochimilco
Comece no Museu Frida Kahlo. Compre ingressos online com antecedência, pois esgotam rápido. Custa 270 pesos (R$ 80 ou 14 EUR) para estrangeiros. Depois, explore o bairro de Coyoacán: a praça principal, o Jardín Centenario, os mercados de artesanato. Almoce no mercado local com tlacoyos e quesadillas.
À tarde, vá para Xochimilco. Reserve uma trajinera (barco colorido) para navegar pelos canais. Um barco inteiro custa cerca de 500-600 pesos por hora (R$ 150-180 ou 25-30 EUR), para até 15-20 pessoas. Se estiver sozinho ou em casal, pode negociar um preço menor ou dividir com outros turistas. Leve suas próprias bebidas e comidas, ou compre dos vendedores que passam de barco. Aos domingos é mais movimentado e festivo, com mariachis em barcos separados.
5 Dias: Adicionando Profundidade
Dia 4: Teotihuacan
Saia cedo para Teotihuacan, a cidade das pirâmides. Fica a cerca de 50 km do centro. Você pode ir de ônibus do Terminal Norte (custa 52 pesos cada trecho, R$ 15 ou 2,50 EUR), taxi ou tour organizado. Chegue às 8h para evitar o sol forte e as multidões. A subida à Pirâmide do Sol é íngreme, mas a vista vale cada gota de suor. Leve água, protetor solar, chapéu e tênis confortável.
Almoce no restaurante La Gruta, dentro de uma caverna natural perto das pirâmides. É turístico, mas a experiência é única. Volte à cidade no fim da tarde e descanse, porque você vai estar exausto.
Dia 5: Roma e Condesa
Dia de caminhar sem pressa pelos bairros Roma e Condesa. Comece com um café da manhã no Lalo! ou no Ojo de Agua. Explore as lojas de design, livrarias, galerias de arte. Almoce tacos no El Vilsito (abre ao meio-dia, mas o pico é à noite) ou no Taquería Orinoco.
À tarde, visite o MUNAL (Museu Nacional de Arte) se não foi antes, ou explore a Biblioteca Vasconcelos, uma das bibliotecas mais bonitas do mundo, com entrada gratuita. À noite, jante em algum dos muitos restaurantes excelentes da Roma Norte: Máximo Bistrot, Rosetta, ou Contramar (este último para frutos do mar).
7 Dias: A Experiência Completa
Dia 6: Basílica e Norte da Cidade
Visite a Basílica de Nossa Senhora de Guadalupe, o santuário católico mais visitado do mundo depois do Vaticano. Mesmo não sendo religioso, a energia do lugar e a história são impressionantes. A imagem original de 1531 está na basílica nova. A velha, do século XVI, está afundando no solo argiloso da cidade e não pode mais ser usada para missas.
Depois, explore o Mercado de la Merced, um dos maiores mercados da América Latina. É caótico, intenso, autêntico. Aqui você encontra de tudo: frutas exóticas, especiarias, carnes, flores, e os ingredientes mais obscuros da cozinha mexicana. Almoce lá mesmo: quesadillas, gorditas, carnitas.
Dia 7: San Ángel e Despedida
Se for sábado, vá ao Bazar Sábado em San Ángel, um mercado de artesanato de alta qualidade. Mesmo em outros dias, o bairro vale a visita. Caminhe pelas ruas coloniais, visite o Museu Casa Estudio Diego Rivera e Frida Kahlo.
À tarde, faça as últimas compras de lembranças. Para artesanato, recomendo a Ciudadela, um mercado imenso com preços justos. Para comida, leve mole em pó, chiles secos, mezcal (limite de 5 litros por pessoa para o Brasil).
Termine a viagem com um jantar especial. Se sobrou orçamento, o Pujol é uma experiência transformadora. Se não, o Azul Histórico no Centro ou o Blanco Colima na Roma servem comida mexicana refinada por preços mais acessíveis.
Onde Comer: Restaurantes e Cafés
A Cidade do México é uma das capitais gastronômicas do mundo, e não estou exagerando. Tem restaurantes entre os melhores do planeta, mas também comida de rua que rivaliza com qualquer prato de restaurante. Aqui está meu guia por faixa de preço:
Comida de Rua e Mercados (R$ 15-40 / 3-7 EUR por refeição)
Os tacos de rua são obrigatórios. Meus favoritos: Tacos El Califa de León (recentemente ganhou estrela Michelin, mas continua barato), Los Cocuyos no Centro (carnitas e suadero), El Huequito (tacos al pastor desde 1959). Um taco custa entre 15-25 pesos (R$ 5-7 ou menos de 1 EUR). Você come 4-5 tacos e está satisfeito.
Para café da manhã, vá aos mercados. O Mercado Roma é mais moderninho, com bancas gourmet. O Mercado de la Merced é o autêntico. Peça chilaquiles (tortilhas com molho, queijo e creme) ou huevos rancheros. Custa R$ 30-50 (5-8 EUR).
Restaurantes Casuais (R$ 60-150 / 10-25 EUR por pessoa)
Para tacos sentado, com cerveja e ambiente agradável: Taquería Orinoco na Roma (tacos estilo norte do México), El Vilsito na Condesa (de dia é mecânico, de noite vira taquería), Tacos Hola na Roma.
Para comida mexicana tradicional: El Cardenal (café da manhã colonial), Café de Tacuba (ambiente histórico), Los Danzantes em Coyoacán (mezcal e comida oaxaquenha).
Para brunch: Lalo! na Roma (filas nos fins de semana), Ojo de Agua (saudável), Panadería Rosetta (pães artesanais da chef Elena Reygadas).
Restaurantes Finos (R$ 200-500 / 35-85 EUR por pessoa)
Contramar: Frutos do mar impecáveis. O peixe ao pastor é icônico. Vá cedo ou reserve. Fecha domingo.
Rosetta: A chef Elena Reygadas criou um dos restaurantes mais bonitos da cidade. Comida italiana com toques mexicanos. Menu de degustação vale a pena.
Máximo Bistrot: Do mesmo grupo do Rosetta, mais casual. Ótimo para jantares.
Quintonil: Uma estrela Michelin, menu de degustação com ingredientes mexicanos que você nunca ouviu falar. Cerca de R$ 700-900 (120-150 EUR) com harmonização.
Experiência Única (R$ 600-1200 / 100-200 EUR por pessoa)
Pujol: Frequentemente entre os 10 melhores restaurantes do mundo. O menu de degustação com o mole madre (uma combinação de moles com 2500+ dias de preparo) é transcendental. Reserve com pelo menos 4-6 semanas de antecedência. Cerca de R$ 1.000-1.500 (170-250 EUR) com bebidas.
O Que Experimentar: Comida da Cidade do México
Não volte sem ter experimentado estas coisas:
Tacos al Pastor: A versão mexicana do döner kebab, trazido por imigrantes libaneses. Carne de porco marinada em achiote, assada no espeto vertical, servida com abacaxi, cebola e coentro. O melhor al pastor é crocante nas bordas e suculento no centro.
Carnitas: Porco cozido na própria gordura até ficar macio. Parece simples, mas quando feito corretamente é viciante. Peça surtido para ter diferentes cortes.
Birria: Carne (tradicionalmente de cabra, hoje geralmente de boi) cozida em molho de chiles. Pode vir em tacos, consomé, ou quesatacos (com queijo). A versão com o taco frito no molho e queijo derretido é um fenômeno recente.
Mole: Molhos complexos com dezenas de ingredientes (chiles, chocolate, especiarias, frutas secas). O mole poblano é o mais conhecido, mas prove também o mole negro de Oaxaca. No Pujol, o mole madre é uma experiência à parte.
Chilaquiles: Café da manhã perfeito para ressaca. Tortilhas fritas cobertas com molho verde ou vermelho, creme, queijo, e geralmente um ovo frito ou frango desfiado por cima.
Tamales: Massa de milho recheada, cozida em folha de bananeira ou palha de milho. Os de mole verde com frango são meus favoritos. Compre nas senhoras que vendem de manhã na rua, geralmente perto de estações de metrô.
Elote e Esquites: Milho na espiga (elote) ou em copo (esquites), com maionese, queijo, pimenta e limão. Parece estranho, é delicioso.
Mezcal: O destilado de agave que está tendo seu momento mundial. Diferente da tequila (que é um tipo específico de mezcal), pode ser feito de muitas variedades de agave. Prove em bares especializados como Bósforo, Limantour, ou La Clandestina.
Pulque: Bebida fermentada de agave, tradicional desde os astecas. Tem textura viscosa que nem todos apreciam. Vá às pulquerías tradicionais como Las Duelistas ou La Nuclear para experimentar.
Segredos Locais: Dicas de Quem Mora Lá
Depois de meses morando na CDMX, aprendi coisas que nenhum guia turístico conta:
O metrô às 7h é suicídio. De segunda a sexta, entre 7h e 9h30, o metrô é tão cheio que você pode perder dois ou três trens antes de conseguir entrar. Existem vagões exclusivos para mulheres e crianças nos horários de pico, mas os vagões gerais são uma batalha. Se puder, evite esses horários ou use Uber (que é muito barato na cidade).
Uber e DiDi são seus amigos. Uma corrida de 20 minutos custa R$ 15-25 (3-4 EUR). Sempre use aplicativo, nunca táxi na rua à noite. Os táxis rosas (de site) são seguros mas mais caros.
A água da torneira é potável, mas ninguém bebe. Tecnicamente, a água da CDMX é tratada. Na prática, a tubulação é velha e todos compram garrafões de água. Nos restaurantes, sempre peça água de garrafa. Muitos lugares oferecem água purificada de graça (agua del día).
Os domingos são mágicos. O Paseo de la Reforma, a principal avenida, fecha para carros e vira uma ciclovia gigante. Milhares de pessoas saem para pedalar, correr, patinar. É uma energia incrível. Alugue uma bicicleta no EcoBici (precisa cadastro) ou em alguma loja.
A Plaza Garibaldi é turística, mas vale. Sim, é cheia de turistas. Sim, os mariachis cobram caro para tocar (negocie antes, espere pagar 200-300 pesos por música). Mas à noite, com tequila na mão e mariachis tocando, você entende por que o México é tão apaixonante. Só não leve objetos de valor e fique nas áreas bem iluminadas.
Os museus são quase gratuitos aos domingos. A maioria dos museus federais (incluindo Antropologia, MUNAL, Belas Artes) é gratuita para todos aos domingos. Consequência: filas enormes. Se puder pagar os 95 pesos em dia de semana, vai ter uma experiência muito melhor.
Aprenda cinco frases em espanhol. Diferente de algumas cidades turísticas, na CDMX muitas pessoas não falam inglês. Básico: Buenos días, Gracias, La cuenta por favor, Cuánto cuesta?, Dónde está...? Isso abre portas.
A altitude afeta mais que você pensa. Nos primeiros dias, vá com calma. Não planeje muitas atividades, beba muita água, evite álcool em excesso. A ressaca na altitude é brutal. Se tiver problemas cardíacos ou respiratórios, consulte um médico antes de viajar.
Gorjeta de 10-15% é esperada. Nos restaurantes com serviço de mesa, deixe 10-15% de gorjeta. Alguns lugares adicionam automaticamente, verifique a conta. Para tacos de rua, não é necessário, mas arredondar para cima é bem-vindo.
Transporte e Comunicação
Do Aeroporto ao Centro
O Aeroporto Internacional Benito Juárez (MEX) fica relativamente perto do centro, mas o trânsito pode transformar 10 km em uma hora de viagem. Opções:
Metrobús Linha 4: A opção mais barata. Custa 30 pesos (R$ 9 ou 1,50 EUR). Vai do Terminal 1 até o Centro Histórico e Buenavista. Leva cerca de 45 minutos. Não é confortável com malas grandes.
Táxi Autorizado: Compre o voucher no balcão oficial dentro do aeroporto. Custa R$ 80-120 (15-20 EUR) até Roma/Condesa, um pouco mais até Polanco. Mais seguro que Uber no aeroporto.
Uber: Funciona, mas você precisa ir até a área de embarque (não desembarque) para pegar. Custa R$ 60-90 (10-15 EUR) dependendo do horário. Aceita pagamento em dinheiro ou cartão.
Novo Aeroporto Felipe Ángeles (NLU): Alguns voos agora chegam neste aeroporto novo, a 50 km ao norte da cidade. O acesso é mais complicado e caro. Verifique antes de comprar passagens.
Transporte na Cidade
Metrô: 12 linhas, cobre boa parte da cidade. Custa 5 pesos (R$ 1,50). Funciona das 5h às 24h (até 1h sextas e sábados). Compre um cartão recarregável na estação. É seguro, mas fique atento a batedores de carteira nos horários de pico.
Metrobús: Ônibus articulados em vias exclusivas. Cobre áreas que o metrô não chega. Custa 6 pesos. Mesmo cartão do metrô.
Uber/DiDi: Onipresentes e baratos. Uma corrida de 20 minutos custa R$ 15-30 (3-5 EUR). Aceita dinheiro (pesos) ou cartão. DiDi às vezes é mais barato.
Taxi: Os táxis rosas são de aplicativo e seguros. Táxis de rua podem ser problemáticos à noite. Se usar, anote a placa e envie para alguém.
EcoBici: Sistema de bicicletas compartilhadas. Bom para deslocamentos curtos em áreas planas (Condesa, Roma, Centro). Precisa cadastro online com cartão de crédito internacional.
Internet e Comunicação
Chip de celular: Compre um chip Telcel ou AT&T em qualquer Oxxo (loja de conveniência onipresente). Um plano com 5GB de dados e ligações custa cerca de 200 pesos (R$ 60 ou 10 EUR) para 30 dias. A cobertura é boa em toda a cidade.
Wi-Fi: Disponível em praticamente todos os cafés e restaurantes. A qualidade varia. Hotéis geralmente têm Wi-Fi incluído.
Ligações para Brasil/Portugal: Use WhatsApp. Se precisar de ligação normal, o chip mexicano tem roaming caro. Melhor usar aplicativos.
Dinheiro
Peso mexicano (MXN): Em março de 2026, 1 USD vale aproximadamente 17-18 MXN. 1 BRL vale cerca de 3,5 MXN. 1 EUR vale cerca de 19 MXN.
Cartões: Visa e Mastercard são aceitos em restaurantes e lojas. American Express menos comum. Para comida de rua e mercados, precisa de dinheiro.
Saques: Caixas eletrônicos cobram taxa de R$ 15-30 (3-5 EUR) por saque. Use os de bancos grandes como BBVA, Santander, Banorte. Evite os caixas de conveniência que cobram mais.
Câmbio: Casas de câmbio no aeroporto têm taxas ruins. Melhor sacar ou trocar na cidade. Muitas casas de câmbio no Centro Histórico e Zona Rosa.
Para Quem É a Cidade do México: Resumo
A Cidade do México é perfeita para: Amantes de história e cultura, foodies que querem experiências gastronômicas de nível mundial (tanto de rua quanto de restaurante), viajantes que gostam de grandes metrópoles com personalidade, quem busca boa relação custo-benefício, brasileiros que querem conhecer uma cultura latina diferente.
A Cidade do México pode não ser ideal para: Quem tem problemas respiratórios sérios (poluição e altitude), viajantes que preferem destinos de praia ou natureza intocada, quem não tolera caos urbano e barulho, pessoas com mobilidade muito reduzida (calçadas irregulares, poucos elevadores).
Veredicto final: A CDMX é uma cidade que exige paciência e recompensa a curiosidade. Não é um destino fácil, mas é um destino profundamente satisfatório. Volto toda vez que posso, e toda vez descubro algo novo. Se você está lendo este guia até aqui, provavelmente é o tipo de viajante que vai se apaixonar por ela.
Boa viagem, e que os tacos estejam sempre a seu favor.